O cenário político nacional é palco do início oficial da campanha eleitoral, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), ambos postulantes à chefia de Estado, lançando suas candidaturas neste domingo (16). Lula escolheu São Bernardo do Campo, em São Paulo, enquanto Bolsonaro optou por Copacabana, no Rio de Janeiro, para marcar o pontapé inicial de suas respectivas jornadas políticas.
- Lula e Flávio Bolsonaro iniciam campanha eleitoral em redutos históricos, com Lula em São Bernardo e Flávio no Rio de Janeiro.
- Ambos os candidatos utilizaram a ocasião para trocar ataques, criticando as gestões passadas e atuais um do outro.
- As ações marcam a liberação da propaganda eleitoral pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), visando o primeiro turno em 4 de outubro.
Em São Bernardo do Campo, berço de sua trajetória política, o presidente Lula, usando um chapéu devido a um recente câncer de pele já tratado, discursou no icônico estádio da Vila Euclides. O petista rememorou o saudosismo do local, onde, no final dos anos 1970 e início dos 1980, liderou inúmeras greves sindicais que foram a base para a fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) há 47 anos. Durante seu discurso, Lula fez menção à sua mãe, dona Lindu, falecida enquanto ele estava preso em 1980.
Lembranças da prisão e ditadura
“No tempo da ditadura militar, um delegado de polícia permitiu que eu saísse da cadeia para ir no enterro da minha mãe. Agora, no regime democrático, um juiz, um ministro [Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal] que eu indiquei não permitiu que eu saísse para ir no enterro do meu irmão Vavá”, declarou o presidente. Ele se referia ao episódio ocorrido em janeiro de 2019, período em que cumpria pena no âmbito da Operação Lava Jato.
Já Flávio Bolsonaro escolheu o Rio de Janeiro para o pontapé inicial de sua “corrida ao Planalto”. A capital fluminense possui um forte simbolismo para o bolsonarismo no Brasil. Além de ter se elegido como deputado estadual e senador pela região, Copacabana foi palco de grandes manifestações promovidas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados em tempos recentes.
Herança política e semelhanças com o pai
“Eu sei que estão olhando para mim e lembrando de uma pessoa. Sei que pareço com ele [Jair Bolsonaro], mas é difícil comparar o filho do Pelé com o Pelé”, afirmou Flávio Bolsonaro aos eleitores. Para reforçar a associação com o ex-mandatário brasileiro, o senador utilizou um áudio do pai durante o comício.
“Se vocês soubessem o poder que vocês têm de mudar o mundo e transformar o nosso Brasil. O amor, o patriotismo e a entrega não têm preço”, dizia a voz de Jair Bolsonaro, que se encontra inelegível até 2030 e cumpre pena por tentativa de golpe de Estado.
Ao mesmo tempo em que apresentavam suas propostas, ambos os candidatos apostaram em ataques mútuos durante os eventos de lançamento de campanha.
Ataques: Lula relembra pandemia
“Eu sou o primeiro presidente da República eleito três vezes. Enquanto eu for vivo, não vou permitir parar de lutar e deixar a direita governar”, declarou Lula, evocando a criticidade vivida pelo país durante a pandemia de Covid-19 na gestão de Jair Bolsonaro. “Uma direita que ficava dando risada das crianças que estavam morrendo por falta de remédio. Uma direita que é responsável pela morte de 400 mil pessoas da Covid por irresponsabilidade com a vacina”, frisou o petista.
Por sua vez, Flávio Bolsonaro citou alguns dos principais escândalos ocorridos durante os governos Lula. “É um governo marcado pela corrupção, é Mensalão, roubo do INSS, agora é o Marcolão. A corrupção chegou dentro do gabinete do Lula”, disse o senador.
Corrupção ou “caloteiro da esperança”?
Flávio Bolsonaro ainda chamou o atual presidente de “caloteiro da esperança”, e criticou a economia afirmando que “a dúzia de ovos tem agora apenas dez unidades”.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) liberou a partir deste domingo a propaganda eleitoral, inclusive na internet. O primeiro turno das eleições ocorrerá em 4 de outubro.