SÃO PAULO, 23 JAN (ANSA) – A modelo chinesa que protagonizou a campanha considerada racista e sexista produzida pela casa de moda italiana Dolce & Gabbana, no ano passado, pediu desculpas nesta quarta-feira (23) e disse que a controvérsia quase destruiu a sua carreira.   

Em novembro, vídeos promocionais de um desfile em Xangai, que exibiria a nova coleção da maison, mostravam uma jovem chinesa, a modelo Zuo Ye, comendo pratos típicos italianos com hashi, enquanto uma voz masculina fazia comentários irônicos.   

Zuo publicou uma nota na rede social chinesa Weibo, espécie de Twitter local, em que afirmou se sentir “culpada e envergonhada”, mas pediu por compreensão. A sua declaração dividiu a China: alguns disseram esperar que ela consiga seguir sua carreira, outros afirmaram que Zuo pode culpar somente a si mesma pelo ocorrido. Muitos internautas ainda lembraram o problema da falta de poder das modelos na indústria da moda, que muitas vezes são obrigadas a fazer coisas que não necessariamente gostariam de fazer. A modelo contou que não recebeu nenhum suporte depois da polêmica, ainda que ela e sua família tenham sido atacadas e ameaçadas nas redes sociais. Além da campanha publicitária, vazaram fotos de mensagens do estilista Gabbana insultando a China. O casal fundador da marca alegou que a conta havia sido hackeada e fez um vídeo, dias depois, pedindo desculpa por todo o episódio. Ainda assim, consumidores chineses iniciaram um grande movimento de boicote à grife, que teve seu desfile em Xangai cancelado, e os produtos removidos de grandes plataformas chinesas de e-commerce. (ANSA)