Camisa do Palmeiras para Bad Bunny vira alvo de polêmica nas redes sociais; entenda

Escolha do nome e do número estampados na camisa do cantor recebeu uma série de questionamentos

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Camisa do Palmeiras em homenagem a Bad Bunny Foto: Reprodução/X

Com apresentações marcadas para esta sexta-feira, 20, e sábado, 21, no Allianz Parque, em São Paulo, o astro porto-riquenho Bad Bunny viu seu nome envolvido em uma polêmica digital. O imbróglio começou após o perfil oficial do estádio no X (antigo Twitter) publicar imagens de uma camisa personalizada do Palmeiras — um presente tradicional do clube a artistas que se apresentam na arena.

A peça traz o nome “Benito” e o número 64 estampados, combinação que gerou reações imediatas entre torcedores e rivais. Críticos associaram “Benito” a Benito Mussolini, ditador que liderou o regime fascista na Itália entre 1922 e 1943. Já o “64” foi interpretado por internautas como uma alusão a 1964, ano do golpe militar que deu início à ditadura no Brasil.

Diante dessas coincidências, perfis de torcedores de clubes rivais e usuários da rede social acusaram a escolha de ser intencional ou, no mínimo, uma grave falha de sensibilidade histórica por parte da gestão do estádio.

Apesar das interpretações políticas, os elementos da camisa possuem significados ligados à vida pessoal e à carreira do cantor. Benito é o prenome real do artista, cujo nome completo é Benito Antonio Martínez Ocasio.

O número 64 é uma referência direta ao figurino usado por Bad Bunny em sua apresentação no Super Bowl LIV. Na ocasião, ele vestiu uma peça com o número 64 em homenagem ao ano de nascimento de seu tio, Cutito, responsável por apresentar o futebol americano ao sobrinho na infância.

É importante ressaltar que o Palmeiras não tem relação com o fascismo, nem com Benito Mussolini. O clube foi fundado em 1914 como Palestra Italia por imigrantes italianos em São Paulo, oito anos antes de o regime fascista chegar ao poder na Itália. Não há registros históricos de vínculo ideológico ou institucional com o governo de Mussolini.

A associação nas redes sociais é costumeiramente feita por rivais, e se deve por causa da origem italiana, além do antigo nome do clube. Em 1942, durante o Estado Novo de Getúlio Vargas e em meio à Segunda Guerra Mundial, o Brasil proibiu referências a países do Eixo, o que levou o Palestra Italia a adotar o nome Palmeiras. A mudança foi uma imposição política da época, e não resultado de alinhamento ideológico.

Até o momento, nem a administração do Allianz Parque, nem o Palmeiras ou a equipe do cantor emitiram notas oficiais sobre a repercussão negativa.

Veja a publicação e a repercussão nas redes socias: