Edição nº2594 13/09 Ver edições anteriores

Calo no Nordeste

Crédito: Roque de Sá

DESAFIO É no Nordeste de Fernando Bezerra Coelho que Bolsonaro ainda tem menor aprovação (Crédito: Roque de Sá)

Não foi por acaso que o presidente Jair Bolsonaro escolheu Fernando Bezerra Coelho como o líder do governo no Senado. O senador é do Nordeste e do MDB, um partido da política tradicional. Residem exatamente nesses dois pontos as dificuldades maiores que Bolsonaro tem no momento para fazer deslanchar sua proposta de reforma da Previdência. É no Nordeste de Bezerra que o governo tem ainda sua aprovação mais baixa. E é do Nordeste também que vêm as maiores pressões dos partidos aliados por cargos, verbas e as demais benesses do velho balcão de negócios. Parlamentares da base nordestina têm alertado da dificuldade de apoiar a reforma em uma região carente, onde a economia de muitos municípios é sustentada por aposentadorias, especialmente rural.

Pragmático

Esses parlamentares têm lembrado que o eleitor nordestino é pragmático. “Não importa o nome do santo. Eles querem saber do milagre”. Ou seja: carentes, esses eleitores costumam ser gratos aos benefícios que recebem. Se sentem que têm contrapartidas, apóiam o governo, independentemente da sua coloração ideológica.

Recados

Foi assim que mudaram para o PT de Lula, nos quais antes não votavam. No fundo, o que esses parlamentares querem dizer com esses recados é que eles também, à sua forma, são também pragmáticos. Também olharão com bons olhos o governo se houver contrapartida. Em cargos e verbas de órgãos como, por exemplo, o DNOCS.

Sem aposentadoria

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O deputado Capitão Derrite (PP-SP) protocolou um documento esta semana na Câmara abrindo mão de qualquer aposentadoria especial a que tenha direito ao final do seu mandato. O fim desse privilégio está em discussão no Congresso, com chances de ser aprovado, mas preservando os atuais parlamentares. Para Derrite, porém, é preciso dar o exemplo, cortando na própria carne.

Rápidas

* A deputada Bia Kicis (PSL-DF) elogiou a aprovação do protocolo adicional ao Tratado de Amizade entre Brasil e Portugal, que cria o Prêmio Monteiro Lobato de Literatura Infanto-Juvenil. Para ela, uma justa homenagem ao criador do Sítio do Picapau Amarelo.

* Em janeiro, a obra de Lobato caiu em domínio público, e diversas novas publicações do seu trabalho estão programadas. O Prêmio Monteiro Lobato distinguirá autores brasileiros e portugueses que se destacarem.

* O senador Eduardo Girão (Pode-CE) aprovou requerimento na Comissão de Transparência e Controle para começar a abrir, como diz, a “caixa preta” das destinações de recursos do BNDES., muito usados politicamente.

* Girão convocará para depoimentos o presidente do BNDES, Joaquim Levy, e o presidente do Tribunal de Contas da União, ministro José Múcio Monteiro. Os depoimentos vão ocorrer depois da semana do carnaval.

Retrato falado

“Se for do PT, eu não assino. Mesmo que seja bom para o País” (Crédito:Divulgação)

Assim o deputado Heitor Freire (PSL-CE) respondeu a uma moça que recolhia assinaturas de apoio a um projeto. Heitor disse a ela que é o “terror do Partido dos Trabalhadores”. Ele chegou a pedir a extinção da legenda comandada por Lula. “O que eles fizeram de bom para o Brasil?”, disse ele ao explicar a recusa da assinatura. Embora tenha evitado dizer o nome do autor, a moça admitiu que o projeto para o qual recolhia assinaturas era, de fato, de um parlamentar do PT.

Nem na ditadura

A segurança do vice-presidente Hamilton Mourão causou grande mal-estar com a imprensa em São Paulo, na tarde de terça-feira 26, durante evento na Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Defesa (Abimde). Antes desse evento, Mourão iria ao Palácio dos Bandeirantes encontrar-se com o governador João Doria. Em função do mau tempo, Mourão teve dificuldades para pousar e sua agenda atrasou, obrigando o cancelamento do encontro com Dória. Os jornalistas que lá estavam tiveram que correr para o evento da Abimde. Em função do caos no trânsito em São Paulo, por causa das chuvas, os jornalistas chegaram atrasados. Foi aí que a segurança de Mourão foi intransigente.

Despreparo

Alegando que a solenidade já havia começado, a segurança não permitiu a entrada. Até mesmo a EBC, empresa do governo, foi proibida de entrar. Ficaram de fora também dezenas de convidados. Certamente, Mourão não deu essa ordem e nem sabia o que estava acontecendo na porta do clube militar.

Enganou Bolsonaro

O deputado estadual Gil Diniz, líder do PSL na Assembleia de São Paulo (Alesp), está sendo alvo de fogo amigo. Durante a campanha do ano passado, Diniz conseguiu que Jair Bolsonaro, em visita a Barretos, gravasse um vídeo em apoio à sua candidatura. Só que Bolsonaro não sabia que ele era ligado à direção do esquerdista Sindicato dos Trabalhadores dos Correios. Foi enganado.

Disputa

Colegas de partido de Diniz estão espalhando o perfil. O sindicato é ligado à Central Brasileira dos Trabalhadores, dominada pelo Partido da Causa Operária (PCO). Na disputa pela presidência da Alesp, Diniz apoia a candidatura de Janaína Paschoal, que enfrenta Cauê Macris (PSDB), candidato do governador João Doria e favorito na disputa.

Yeda no comando

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Ao final de um curso de capacitação ministrado pela Fundação Konrad Adenauar na semana passada, a ala feminina do PSDB resolveu lançar a ex-deputada Yeda Crusius, que preside o PSDB Mulher, à presidência do partido. Para as mulheres, seria uma opção ligada às raízes históricas dos tucanos. O favorito, contudo, é o deputado Bruno Araújo.

Toma lá dá cá

Deputado Mauro Benevides Filho (PDT-CE)

O senhor foi o principal consultor econômico da campanha de Ciro Gomes á Presidência. Qual sua avaliação sobre a reforma da Previdência?
Nossa proposta previa um pilar social no valor do salário mínimo. Previa também que se houvesse um modelo de capitalização ele teria que ter contribuição de empregado e de patrão. Sem isso, não tem como aceitar.

Tem que estar na Constituição?
Tem que estar. Não dá para aprovar a reforma sem isso e esperar que venha por legislação complementar.

Porque aí é cheque em branco. Há outras questões também além dessas.O PDT é contra a reforma?
O PDT entende a necessidade da reforma. Mas considera que algumas questões básicas têm que estar incluídas.

 


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