Cultura

‘Call Me by Your Name’, uma delicada história sobre o desejo


Pergunte a dez críticos aqui na Berlinale. Será uma unanimidade – 11 (!) vão responder que o melhor filme está sendo Una Mujer Fantástica, do chileno Sebastián Lelio. O filme sobre uma transgênero, interpretada por uma transgênero – Daniela Vera – já é cotado como favorito, ainda mais num júri presidido por Paul Verhoeven, o diretor de Elle. Mas agora chegou Call Me by Your Name, do italiano Luca Guadagnino. Mesmo que não leve o Urso de Ouro – não está na competição -, é o queridinho para o outro Urso, o Queer, Gay.

Guadagnino corrige – “Não é um filme gay. Nunca o encarei dessa forma, porque, se assim o fizesse, estaria condenando meu filme ao gueto. Para mim, é uma delicada história de desejo e sobre o rito de passagem.” Uma vila italiana num cenário deslumbrante – Crema, na Lombardia, norte da Itália. Um garoto de 17 anos, às voltas com uma garota de sua idade. Chega a serpente, um norte-americano culto, professor, de 25. Os dois homens experimentam ‘il desiderio’, o desejo. Comem-se com os olhos, antes de fazer sexo. O day after é admirável. Constrangimento. E agora?

E agora, Armie Hammer? Ator de filmes como O Cavaleiro Solitário (com Johnny Depp) e O Agente da U.N.C.L.E., de Guy Ritchie, com Henry Cavill), ele poderia até ser chamado de diletante. Milionário, não, bilionário de família, Armie escolheu ser ator. E ousa, mas não considera que o papel seja arriscado. Quando ele diz isso, o garoto que faz seu jovem amante Elio Perlman (vivido pelo ator Timothée Chalamet) provoca. Dá lhe um beijo no rosto. “Vocês veem, o que ele está querendo dizer com isso é que somos atores. Não seríamos, se tivéssemos medo de expressar o desejo de um homem por outro. E, depois, o mundo mudou. A menos que estejamos discutindo o recuo dos direitos dos homossexuais. O mundo está ficando mais careta, existe muita homofobia, mas é difícil acreditar que um ator vá ficar marcado por fazer papel de gay.”

Call Me by Your Name é muito sexy e elegante. A primeira parte, em especial, deslumbra. No Brasil, será distribuído pela Sony. A pergunta que não quer calar – a Sony tem tido alguma resistência a lançar no Brasil seus produtos mais artísticos. Alguns filmes estão indo para DVD. Será o caso do de Luca Guadagnino? Fique atento.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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