As flexibilizações que a Caixa Econômica Federal promoveu na concessão de crédito imobiliário não tiveram reflexo no primeiro trimestre de acordo com Marcio Percival, vice-presidente de Finanças da instituição, e o banco público viu sua participação no segmento seguir encolhendo. De acordo com ele, o impacto deve ocorrer no segundo trimestre já que as medidas foram anunciadas em março último. A participação da Caixa no crédito imobiliário, segmento no qual o banco é líder, caiu para 66,9% ao final do primeiro trimestre, o patamar mais baixo dos últimos anos. No trimestre anterior, estava em 67,2%. Em março de 2015, a participação era ainda maior, de 68,2%. Na contramão do que fez no ano passado, a Caixa elevou as cotas de financiamento imobiliário. No sistema de financiamento habitacional (SFH), para o setor privado, aumentou de 50% para 70%, enquanto no público foi de 60% para 80%. Já nos imóveis usados financiados pelo sistema financeiro imobiliário (SFI), subiu de 40% para 60% no privado e 50% para 70% no público. Além disso, o banco também passou a financiar a compra de um segundo imóvel nas mesmas condições utilizadas no primeiro. Apesar das flexibilizações nas cotas financeiras, o banco público anunciou, no final de março, a quarta elevação nos juros do crédito imobiliário desde o início do ciclo de alta da Selic, a taxa básica de juros, e a primeira deste ano. A carteira de crédito imobiliário da Caixa totalizou R$ 388,941 bilhões no primeiro trimestre, montante 1,2% maior ante os três meses anteriores. Em um ano, o crescimento foi de 9,8%. Com o desempenho no primeiro trimestre, o segmento de habitação, conforme Percival, representou 5,5% do crescimento da carteira total no comparativo do primeiro trimestre de 2015, de 9,2%, para R$ 684,162 bilhões. “O segmento de infraestrutura contribuiu com 2,1% do crescimento da carteira e consignado com 1,0%. Habitação, infraestrutura e consignado responderam, juntas, por 8,6% da expansão da carteira total. O restante veio do segmento comercial, comprovando a qualidade da nossa carteira, de 85% de créditos de baixo risco”, destacou Percival, em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. A carteira de crédito comercial da Caixa encerrou março com saldo de R$ 198,120 bilhões, cifra 0,7% menor em relação a dezembro, porém, 3,0% superior no comparativo trimestral. Pesaram, sobretudo, os empréstimos para pessoa jurídica que diminuíram 1,2% no trimestre e tiveram leve alta de 0,1% em um ano. A carteira de pessoa física teve queda de 0,2% e alta de 5,8%, respectivamente e na mesma base de comparação.