Caixa confirma ter informado BTG de que irá exercer tag along por Pan Seguros

A Caixa Econômica Federal já informou ao BTG Pactual sua decisão de exercer o tag along na venda da fatia do banco na Pan Seguros para a CNP Assurances, conforme antecipou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, na semana passada. “A Caixa já informou que vai exercer o tag along. Não tem sentido não exercer. A Caixa terá de exercer”, disse ao Broadcast o vice-presidente de Finanças do banco público, Marcio Percival, sem dar mais detalhes. O executivo não soube dizer se tal comunicação foi feita de forma informal ou se o BTG já teria sido notificado oficialmente. A motivação para dar tal passo, conforme noticiou o Broadcast, é o fato de o banco público já ser sócio da francesa na sua própria seguradora, a Caixa Seguridade. Por isso, aceitar um novo negócio com a CNP significaria, na prática, segundo fontes, ficar amarrada à sócia em uma eventual renovação do contrato que vence em 2021. Já para a francesa, o negócio blindaria a Caixa de ter outro sócio nos seus negócios de seguridade e esse seria, conforme fontes, o verdadeiro motivador para seu interesse na fatia de 51% do BTG na Pan Seguros. No entanto, a CNP teria colocado como “condição precedente” na aquisição da fatia do BTG na Pan, segundo a mesma fonte, o não exercício do tag along. Isso porque a oferta da francesa inclui a compra dos 51% desde que a Caixa permanecesse como sócia no negócio. Tag along é um instrumento de proteção a acionistas minoritários e garante a eles o direito de deixarem a sociedade caso o controle da empresa seja adquirido por um investidor que, até então, não estava na sociedade. A venda da Pan Seguros à CNP foi anunciada no mês passado. O BTG decidiu vender sua fatia no final de 2015, na esteira da série de desinvestimentos que foi obrigado a fazer para suportar a crise instaurada após a prisão de André Esteves, até então presidente do banco, em um dos desdobramentos da Operação Lava Jato. A CNP, que no passado já se sentiu incomodada pela aproximação do BTG junto à Caixa, viu, na crise do banco, a oportunidade de proteger a sociedade que detém com a instituição pública na Caixa Seguridade, onde são sócios desde 2001. Na ocasião, a CNP desembolsou US$ 538 milhões por 51,75% das ações da seguradora da Caixa, e o braço de participações do banco, a CaixaPar, ficou com cerca de 48,25%. A operação brasileira é a segunda mais importante da CNP no mundo, atrás apenas da francesa.