O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, conversa com ao menos três partidos em meio à possibilidade de deixar o União Brasil para ser candidato à Presidência da República. Fontes ligadas ao político relataram à IstoÉ que ele tem “grandes chances” de sair da legenda atual.
Os presidentes do Solidariedade, deputado Paulinho da Força (SP), e do Podemos, Renata Abreu (SP), conversaram com o goiano nos últimos dias. O Republicanos também discute sua filiação.
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À IstoÉ, Paulinho afirmou ter falado por telefone com Caiado nesta terça-feira, 27, e reiterou que a federação formada por Solidariedade e PRD está “à disposição” para dar legenda a seu projeto presidencial.
Depois de apoiar o presidente Lula (PT) nas eleições de 2022, o Solidariedade se afastou do governo e passou a defender o lançamento de uma alternativa tanto ao petista quanto ao grupo de Jair Bolsonaro (PL), que tem o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como pré-candidato, no pleito de 2026.
Sob condição de anonimato, uma fonte no Podemos relatou à IstoÉ que a agremiação não busca ativamente candidatura ao Palácio do Planalto, mas Renata Abreu aceitou dialogar com Caiado e ouvir seu projeto.
O Republicanos tambéma avalia receber o pré-candidato à Presidência, conforme relatou uma fonte de sua direção à IstoÉ, sob condição de anonimato. A situação, no entanto, é mais complexa: a sigla chefia o Ministério de Portos e Aeroportos de Lula, com Silvio Costa Filho, e tem como filiado o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ex-ministro de Bolsonaro e também aventado para enfrentar o petista nas urnas.
Os obstáculos de Caiado
Primeiro pré-candidato declarado à Presidência, ainda em abril de 2025, Caiado enfrenta resistências no União Brasil desde a largada. O presidente da sigla, Antonio Rueda, não compareceu ao evento que lançou o nome do correligionário, em Salvador.
O partido tem ingerência sobre três ministérios de Lula (Turismo, Integração Regional e Comunicações) e, à revelia do governador de Goiás, firmou uma federação com o PP que, ainda sem formalização no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), reduziu as possibilidades de candidatura própria ao governo federal.
Divisões internas não faltam. Presidente do PP, o senador Ciro Nogueira (PI) articulava pelo apoio a Tarcísio; outros integrantes defendem endosso ao nome ungido por Bolsonaro, enquanto filiados em ministérios desejam a reeleição de Lula e parlamentares trabalham pela liberação de apoios, com foco na eleição de deputados e senadores.
Caiado, por sua vez, defende que a direita apresente várias candidaturas no primeiro turno e se reúna em torno de quem se qualificar para enfrentar o atual mandatário no segundo. “O que Lula quer é um candidato só. Como é que você enfrenta, com um candidato só, uma máquina de governo? Vamos ser realistas”, disse em entrevista à rádio Nova Brasil. Em pesquisa divulgada por AtlasIntel e Bloomberg no dia 21 de janeiro, o goiano pontuou entre 2,9 e 15,2% nos cenários de primeiro turno testados.