Em seu primeiro discurso como pré-candidato à Presidência da República do PSD, Ronaldo Caiado defendeu “desativação” da polarização política, mas prometeu “anistia ampla, geral e irrestrita” ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e demais condenados por uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022 como “primeiro ato” de governo.
A declaração foi dada nesta segunda-feira, 30, em evento na sede do PSD, em São Paulo, que oficializou a escolha do governador de Goiás para representar o partido em uma eleição presidencial pela primeira vez. Caiado superou a concorrência interna dos governadores do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e do Paraná, Ratinho Júnior — que desistiu do pleito na última semana.
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A tese defendida pelo goiano é que a anistia poderá “pacificar” o país e permitir que o governo federal “cuide das pessoas”, em alusão a sua carreira pregressa como médico. Aos 76 anos, o pré-candidato não fez outras menções a Bolsonaro, mas defendeu ter credenciais para não apenas derrotar o PT, como fez o ex-presidente, mas ”governar para que o PT não seja mais opção ao país”.
“Estou na política há muitos anos. Quando o PT criou o MST [Movimento dos Trabalhadores Sem Terra], eu criei a UDR [União Democrática Ruralista]. Desde 1986 defendo o agronegócio, quando não era pop”, afirmou Caiado. “Acredito em pesquisas, na ciência e na tecnologia. No meu estado, temos um marco regulatório da Inteligência Artificial. Quando ninguém falava em terras raras, Goiás passou a explorar e comercializar terras raras. Somos um estado que pensa à frente”.
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Segurança é aposta prioritária da campanha de Caiado
Ao exaltar os próprios feitos como governador, Caiado constrói um discurso que, ao mesmo tempo, marca distância de Flávio Bolsonaro (PL) e ataca o presidente Lula (PT), concorrentes já estabelecidos à disputa presidencial. A principal aposta do goiano, no entanto, é na segurança pública.
No pronunciamento, Caiado repetiu o mantra conhecido de que “bandido não se cria” no estado que governa desde 2019 — ele renunciará ao cargo na terça-feira, 31, para a corrida presidencial — e afirmou que a “conivência” com o crime organizado não pode mais ser admitida no Palácio do Planalto.
“Estado Democrático de Direito é o primeiro artigo da Constituição, [mas] isso não existe em um país onde o narcotráfico tem 60 milhões de brasileiros sob sua tutela e controla grande parte do território brasileiro”, declarou.
Em pesquisa divulgada pela Quaest em 11 de março, Caiado teve 4% das intenções de voto, em desvantagem em relação a Lula, Flavio e patamar similar a Romeu Zema (Novo), com 2%.