O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e o ex-ministro Gilberto Kassab, presidente do PSD, se reúnem em São Paulo nesta terça-feira, 24, em momento decisivo para a definição da candidatura presidencial do partido.
Na véspera do encontro, Ratinho Júnior desistiu de concorrer ao Palácio do Planalto para cumprir até o fim seu mandato como governador do Paraná. Restaram na disputa o goiano e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que reiterou o desejo de ser presidenciável após o anúncio do colega.
Recebi com respeito e admiração a manifestação do governador Ratinho Jr. sobre sua decisão de permanecer como governador até o final do seu mandato, abrindo mão de disputar a presidência neste ano. Um dos melhores governadores do país, sabe melhor do que nenhum de nós as razões…
— Eduardo Leite (@EduardoLeite_) March 23, 2026
Caiado não falou publicamente sobre a desistência de Ratinho, mas é considerado favorito para representar o PSD na disputa contra o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por integrantes da sigla. O governador deve se pronunciar após a reunião com Kassab.
Em nota, o dirigente afirmou que o partido anunciará sua escolha até o fim de março. O PSD “se mantém firme na decisão de apresentar aos brasileiros uma candidatura a presidente da República” e pretende se contrapor à “polarização de propostas radicais” representada por Lula e Flávio, disse Kassab.
Caiado se tornou favorito após desistência de Ratinho
Até a decisão de concluir seu segundo mandato no governo do Paraná, Ratinho era o pessedista que melhor pontuava nas pesquisas para a Presidência da República. Em Datafolha divulgado no início de março, registrou 7% das intenções de voto para o cargo, enquanto os colegas de sigla chegaram ao máximo de 4% (Caiado) e 3% (Leite).
Mas o cenário local pesou. As dificuldades para a definição de um sucessor — Guto Silva (PSD), secretário das Cidades, é o favorito, e o ex-prefeito Rafael Greca migrou ao MDB para concorrer — e a filiação do senador Sergio Moro ao PL para disputar o cargo dando palanque a Flávio ameaçam o poder do grupo político de Ratinho no estado.
No anúncio, o governador afirmou que continuará no PSD e pretende voltar ao setor privado após o mandato. Aliados de Kassab afirmaram que o dirigente foi pego de surpresa pela decisão, visto que Ratinho era seu favorito para ser o presidenciável do partido.
Sem o paranaense, Caiado ganhou pontos porque tem um cenário eleitoral mais confortável no próprio estado — onde o vice-governador Daniel Vilela (MDB) é candidato à sucessão –, enquanto Leite enfrenta dificuldades para manter seu grupo no poder no Rio Grande do Sul e avalia a possibilidade de concorrer ao Senado.
Além disso, o fato de Caiado disputar a última eleição de sua carreira é visto como um ativo. A avaliação é de, em caso de derrota, a candidatura teria menos implicações após a eleição, ou seja, mantendo a liberdade característica do PSD de negociar com qualquer campo que ocupe o governo.