Filiação ao PSD para concorrer a presidente não é inédita para Caiado

Governador de Goiás se filiou a partido homônimo em 1989 para disputar Planalto; Gilberto Kassab aproveitou nome vago para lançar 'novo' PSD

Ronaldo Caiado participa de debate presidencial em 1989, pelo extinto PSD
Ronaldo Caiado participa de debate presidencial em 1989, pelo extinto PSD Foto: Reprodução/YouTube

A troca do União Brasil pelo PSD com o objetivo de viabilizar uma candidatura à Presidência da República não é novidade na carreira política do governador de Goiás, Ronaldo Caiado.

Em 1989, o goiano presidia a União Democrática Ruralista quando decidiu concorrer ao Palácio do Planalto. Era a primeira vez que os brasileiros iriam às urnas escolher o presidente após duas décadas de ditadura militar.

Diversos partidos foram criados e lideranças com perfis distintos se lançaram na disputa. No primeiro turno, 22 candidatos estavam disponíveis para a escolha dos brasileiros, que levaram Fernando Collor (então no PRN) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao segundo turno e elegeram o primeiro.

Caiado teve breve passagem pelo PDC antes de chegar ao PSD para emplacar a candidatura. A agremiação pretendia lançar o ex-presidente Jânio Quadros na corrida, mas sua saúde fragilizada freou as pretensões e abriu espaço para o líder ruralista, que saiu das urnas com 0,72% dos votos.

Acontece que, embora dividam a sigla e tenham exatamente o mesmo nome, o atual Partido Social Democrático e aquele Partido Social Democrático de 1989 não são a mesma coisa.

O antigo foi fundado em 1987, após a extinção da regra do bipartidarismo, e reunia diversos ex-integrantes do regime militar — os membros cogitaram lançar o general João Figueiredo, que governou o país de 1979 a 1985, na corrida presidencial. O partido existiu até 2003, quando foi incorporado pelo PTB (atual PRD).

O “novo” PSD, que tem Caiado recém-chegado, alcançou maior proporção na política brasileira. Fundada por Gilberto Kassab em 2011, a sigla se aproveitou do nome vago pelo antecessor, fez parte dos governos Dilma Rousseff (PT), Michel Temer (MDB) e Lula, lidera em número de governadores, com seis, de prefeitos, com 886, e tem a segunda maior bancada do Senado, com 13 integrantes.

Agora, ensaia ter candidatura própria à Presidência da República pela primeira vez. Além de Caiado, postulam o cargo os governadores do Paraná, Ratinho Júnior, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Com o jogo embaralhado, Kassab garante que um deles concorrerá ao Planalto em outubro, contra Lula e Flávio Bolsonaro (PL).