A troca do União Brasil pelo PSD com o objetivo de viabilizar uma candidatura à Presidência da República não é novidade na carreira política do governador de Goiás, Ronaldo Caiado.
Em 1989, o goiano presidia a União Democrática Ruralista quando decidiu concorrer ao Palácio do Planalto. Era a primeira vez que os brasileiros iriam às urnas escolher o presidente após duas décadas de ditadura militar.
Diversos partidos foram criados e lideranças com perfis distintos se lançaram na disputa. No primeiro turno, 22 candidatos estavam disponíveis para a escolha dos brasileiros, que levaram Fernando Collor (então no PRN) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao segundo turno e elegeram o primeiro.
Caiado teve breve passagem pelo PDC antes de chegar ao PSD para emplacar a candidatura. A agremiação pretendia lançar o ex-presidente Jânio Quadros na corrida, mas sua saúde fragilizada freou as pretensões e abriu espaço para o líder ruralista, que saiu das urnas com 0,72% dos votos.
Acontece que, embora dividam a sigla e tenham exatamente o mesmo nome, o atual Partido Social Democrático e aquele Partido Social Democrático de 1989 não são a mesma coisa.
O antigo foi fundado em 1987, após a extinção da regra do bipartidarismo, e reunia diversos ex-integrantes do regime militar — os membros cogitaram lançar o general João Figueiredo, que governou o país de 1979 a 1985, na corrida presidencial. O partido existiu até 2003, quando foi incorporado pelo PTB (atual PRD).
O “novo” PSD, que tem Caiado recém-chegado, alcançou maior proporção na política brasileira. Fundada por Gilberto Kassab em 2011, a sigla se aproveitou do nome vago pelo antecessor, fez parte dos governos Dilma Rousseff (PT), Michel Temer (MDB) e Lula, lidera em número de governadores, com seis, de prefeitos, com 886, e tem a segunda maior bancada do Senado, com 13 integrantes.
Agora, ensaia ter candidatura própria à Presidência da República pela primeira vez. Além de Caiado, postulam o cargo os governadores do Paraná, Ratinho Júnior, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Com o jogo embaralhado, Kassab garante que um deles concorrerá ao Planalto em outubro, contra Lula e Flávio Bolsonaro (PL).