O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) autorizou nesta quarta-feira, 27, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) a indicar dois membros para eleição do Conselho de Administração da Usiminas, bem como um membro para o Conselho Fiscal da companhia. A decisão veio na véspera da assembleia geral dos acionistas da Usiminas que vai tratar do assunto, prevista para esta quinta-feira, 28. As duas companhias são rivais, mas a CSN é a maior acionista minoritária – fora do bloco de controle – da Usiminas. Em 2012, com confirmação em 2014, o Cade retirou os direitos políticos da CSN sobre a siderúrgica mineira, depois de a companhia fazer compras de ações e acumular uma fatia relevante do capital social de sua concorrente. Nesta semana, um despacho da presidência do Cade decidiu flexibilizar essa decisão, permitindo que a CSN indique os membros aos conselhos da Usiminas. O ato precisava ser referendado pelo Tribunal Administrativo de Defesa Econômica do Cade, o que foi efetivado hoje. A decisão desta quarta-feira foi tomada com três votos favoráveis e a discordância de dois conselheiros. No ano passado, o Cade havia negado pedido semelhante, mas agora mudou de visão pela mudança das condições de mercado e do atual conselho. Recursos com pedidos de reconsideração do despacho foram rejeitados na sessão de hoje. A CSN também havia pedido autorização para deliberar sobre qualquer matéria que não seja concorrencialmente sensível, mas a solicitação foi negada. Como parte do despacho, um representante do Cade será enviado para acompanhar ‘in loco’ a votação do Conselho de Administração. Também fica exigida a independência dos conselheiros indicados em relação à CSN para garantir que não haja influência da companhia sobre a Usiminas. O conselheiro Alexandre Macedo, que votou a favor da CSN, usou como argumentos as sucessivas crises vividas pela Usiminas e a disputa entre seus controladores, que prejudicam a empresa. Para ele, a possibilidade de recuperação judicial da companhia e sua saída do mercado poderia ser pior. Já para o conselheiro João Paulo de Resende, que foi contrário ao despacho, a CSN pode prejudicar sua rival Usiminas ao acompanhar de perto decisões estratégicas tomadas pelos conselhos. “É como colocar a raposa para cuidar do galinheiro”, disse. Após o despacho desta semana, a CSN já indicou seus candidatos para os conselhos de administração e fiscal. Foram sugeridos os nomes de Gesner José Oliveira Filho e de Ricardo Antônio Weiss para membros titulares do Conselho de Administração. A siderúrgica de Volta Redonda (RJ) também indicou Derci Alcântara e Sônia Villalobos como suplentes. Para o Conselho Fiscal, a CSN submeteu a indicação de Wagner Mar como titular e Pedro Carlos de Mello para a suplência. Segundo o Cade, os nomes cumprem requisitos para a indicação. O conselheiro Márcio de Oliveira Júnior ressaltou que a flexibilização dos termos não inviabiliza o acordo fechado em 2014. Segundo ele, a CSN tem que reduzir sua participação na Usiminas em proporção e prazo que estão sob sigilo. (Colaborou Fernanda Guimarães)