Economia

Cade aprova compra do Grupo BIG por Carrefour Brasil com restrições

Cade aprova compra do Grupo BIG por Carrefour Brasil com restrições

Unidade do Carrefour em São Paulo (SP)

SÃO PAULO (Reuters) -O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou nesta quarta-feira a compra de lojas do Grupo BIG pelo maior varejista do país, Carrefour Brasil, com restrições previamente acordadas pelas empresas junto ao órgão antitruste.

A decisão foi unânime, com os conselheiros Lenisa Rodrigues Prado, Luis Henrique Bertolino Braido, Gustavo Augusto Freitas de Lima e Sérgio Costa Ravagnani acompanhando o voto do relator Luiz Augusto Hoffmann.


O relator afirmou que não foram identificadas preocupações concorrenciais nos mercados de atacado de distribuição e postos de revenda de combustíveis. Mas no segmento de atacarejo, que tem o Assaí como principal rival do Carrefour Brasil, o negócio “tem potencial de gerar exercício de poder de mercado em nove localidades diferentes”.

Por meio da bandeira Atacadão, o Carrefour Brasil é a maior rede de atacarejo do país, enquanto o BIG é a terceira maior, segundo o Cade.

Os remédios anunciados nesta quarta-feira incluem a venda de lojas de atacarejo em nove cidades do Sul e Nordeste do país, incluindo Gravataí (RS), Maceió, Olinda e Recife.

Segundo o Carrefour Brasil, o acordo inclui a venda de 14 lojas, das quais 11 são hipermercados ou atacarejos. As vendas podem ocorrer após a conclusão da operação. A companhia afirmou que as lojas representam 3,6% do parque total e 6% da receita do Grupo BIG em 2021, ante recomendação da superintendência do Cade de cerca de 10% das lojas.

Além disso, Carrefour Brasil e Big terão que “preservar a viabilidade, atratividade e competitividade das lojas objeto do remédio estrutural até que o desinvestimento seja concluído”. As empresas também não poderão recomprar as lojas vendidas por um prazo, que não foi informado.

O Cade também determinou que as companhias notifiquem a autarquia sobre qualquer operação envolvendo supermercados, hipermercados, atacarejos e clubes de compras, “ainda que elas não atinjam os parâmetros de notificação obrigatória”.

Em janeiro, a superintendência do Cade já tinha recomendado a aprovação da transação, condicionando o negócio à venda de parte das lojas de atacarejo.

O Carrefour Brasil, unidade da gigante francesa de varejo Carrefour, anunciou em março passado a aquisição do Grupo Big por cerca de 7,5 bilhões de reais.

A transação envolveu 387 lojas detidas ou operadas pelo Big. O Carrefour Brasil terminou o primeiro trimestre com um parque de 779 pontos de venda, sendo 252 da marca Atacadão.

No começo do mês o presidente-executivo do Carrefour Brasil, Stéphane Maquaire, disse esperar um efeito positivo “muito forte” nas margens de lucro das lojas do Big após a conversão delas para os formatos do grupo e que as sinergias esperadas são maiores que as esperadas no anúncio da operação.

O Carrefour Brasil afirmou ainda que a conclusão da operação ainda depende do cumprimento de “determinadas condições precedentes previstas no contrato”.

A aprovação do Cade ocorre num momento de forte expansão do atacarejo no país, em meio à crise econômica que tem corroído o poder de compra da população. Esse crescimento motivou o Assaí a comprar 71 hipermercados Extra do GPA e convertê-los para o formato de atacarejo, em um negócio de 5,2 bilhões de reais anunciado em outubro passado.

(Por Alberto Alerigi Jr.; edição Aluísio Alves)

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