Cachaça no Brasil: setor cresce 21% e atinge maior expansão desde 2018

Dados do Anuário da Cachaça de 2023 revelam forte crescimento, mas alertam para queda no volume de produção e importância da fiscalização

Cachaça no Brasil: setor cresce 21% e atinge maior expansão desde 2018

O setor de cachaça no Brasil registrou um crescimento expressivo em 2023, atingindo 1.583 estabelecimentos, um aumento de 21% em relação a 2022. Este é o maior crescimento desde 2018, consolidando a expansão da cadeia produtiva da bebida, que inclui produtores, padronizadores, envasadores e atacadistas.

O que aconteceu

  • O setor de cachaça registrou 1.583 estabelecimentos em 2023, o maior crescimento desde 2018.
  • Minas Gerais e São Paulo lideram o número de fabricantes e envasadores da bebida no país.
  • As exportações da aguardente brasileira aumentaram 19,4% em volume em 2023, apesar de ainda serem consideradas modestas.

O número total de estabelecimentos em 2023 engloba aqueles que produzem a cachaça, padronizam sua cor, aroma e paladar, envasam as garrafas e/ou realizam a venda no atacado. Desde 2018, a cadeia produtiva da cachaça observou um crescimento notável de 61% no número de estabelecimentos.

Os dados detalhados provêm do Anuário da Cachaça, uma publicação anual elaborada pela Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Quais regiões impulsionam a cadeia produtiva da cachaça?

A Região Sudeste se destaca como o principal polo da cachaça, concentrando 961 estabelecimentos em 2023, liderada por Minas Gerais (564) e São Paulo (230). Mais de 62% dos fabricantes, padronizadores, envasadores e atacadistas de cachaça operavam nesses dois estados. A Região Sul apareceu em seguida com 277 estabelecimentos, impulsionada principalmente pelo Rio Grande do Sul (230). Completando o cenário nacional, o Nordeste registrava 211 estabelecimentos, o Centro-Oeste 70 e o Norte apenas 19.

O levantamento do Mapa revelou a presença da cadeia produtiva da aguardente em 844 municípios brasileiros.

Entre as cidades com maior concentração, Salinas (MG) liderava com 27 estabelecimentos da cadeia produtiva da cachaça. Em seguida, Alto Rio Doce, na Zona da Mata mineira, contava com 25 unidades, e Viçosa do Ceará, na Serra da Ibiapaba, no noroeste cearense, registrava 24 estabelecimentos.

A produção de cachaça foi responsável, em média, por 6.232 postos de trabalho em 2023, o que representa 4,4% do total de empregos na indústria de fabricação de bebidas no país.

Como a cachaça se posiciona no mercado internacional?

O Anuário da Cachaça também detalha a performance do produto no mercado externo, com vendas para 76 países. Em 2023, as exportações alcançaram quase 8 milhões de litros, um aumento de 19,4% sobre o volume exportado em 2022. O faturamento total dessas operações ultrapassou os 17 milhões de dólares.

Os Estados Unidos se consolidaram como o maior comprador em termos de valores pagos no ano passado. Contudo, o Paraguai foi o país que importou o maior volume de cachaça brasileira, com 1,34 milhão de litros.

Segundo Vicente Bastos, presidente do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), a exportação da bebida “continua em um patamar pouco expressivo, especialmente quando consideramos o tamanho do setor e o mercado internacional de destilados”, conforme nota à imprensa.

Apesar do aparente crescimento, a nota do Ibrac também destaca um ponto de atenção: “o Anuário registra que o volume de produção declarado em 2023 foi de 234,48 milhões de litros, uma redução de 15,77% em relação ao ano anterior.”

Qual a importância da fiscalização para o consumo seguro?

O Brasil possui um total de 8.379 produtos de cachaça registrados no Mapa, provenientes dos estabelecimentos elaboradores em todo o território nacional.

A produção e comercialização de aguardente sem autorização do Mapa são ilegais. O ministério reforça a importância de que a população consuma apenas cachaças que exibam o número de registro oficial em seus rótulos.

Produtos sem registro podem ser de fabricação clandestina e sujeitos a falsificação, como evidenciado entre setembro e dezembro de 2023 por dezenas de casos de mistura e adulteração de bebidas destiladas com metanol.

A intoxicação por bebidas adulteradas é uma emergência médica grave, que não pode ser tratada em casa e pode resultar em óbito. O consumo pode provocar cegueira irreversível, falência dos rins e morte caso o tratamento não seja iniciado nas primeiras horas.

O Ministério da Saúde alerta que não existe quantidade segura para o consumo de qualquer bebida alcoólica. Para casos de dependência, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS AD) e nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).