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Cabral fecha delação com a Polícia Federal; PGR contesta acordo

Crédito: Agência Brasil

Condenado 12 vezes na Lava Jato e preso desde novembro de 2016, o ex-governador do Rio Sérgio Cabral assinou em novembro um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal em que implica integrantes do Judiciário. O procurador-geral da República, Augusto Aras, informou ontem ao Supremo Tribunal Federal ser contra a homologação da delação. O STF ainda não se manifestou sobre o acordo.

Na delação, mantida sob sigilo, Cabral se comprometeu a devolver aos cofres públicos R$ 380 milhões recebidos como propina enquanto foi governador. Diferentemente de delações fechadas pela Procuradoria-Geral da República, a PF não estabeleceu previamente os prêmios a serem concedidos ao colaborador, como redução de pena, por exemplo.

A petição está no gabinete do relator da Lava Jato, ministro Edson Fachin, a quem compete validar ou não a proposta de acordo. Ele não tem prazo para responder ao pedido da PF. As informações foram reveladas pelo jornal O Globo e confirmadas pelo Estado por fontes que acompanham as investigações.

Entre os elementos trazidos por Cabral, estão citações a dezenas de autoridades do mundo da política e do Judiciário. Segundo uma fonte que teve acesso ao teor da colaboração, o ex-governador aborda a indicação de magistrados a tribunais.

As primeiras tratativas entre Cabral e a PF começaram no início do ano, na época em que Cabral confessou crimes pela primeira vez. “Meu apego a poder e dinheiro é um vício”, disse o ex-governador, em fevereiro.

O Ministério Público Federal no Rio foi contra firmar colaboração premiada. A mesma posição foi adotada pelo procurador-geral da República. Procurado pela reportagem, Aras disse que “estranha que procedimento em sigilo legal que só poderá ser publicizado pelo ministro relator, Edson Fachin, após eventual denúncia do Ministério Público seja objeto de tanta especulação, e por isso não se manifestará”.

Cabral já foi condenado a penas que somam 266 anos. Procurada, a defesa do ex-governador não comentou. O gabinete de Fachin não se manifestou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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