Edição nº2603 14/11 Ver edições anteriores

Briga de bêbado

Crédito: Antonio Cruz/Agência Brasil

BAIXO NÍVEL Janot diz que ia matar Gilmar, que diz que Janot é facínora (Crédito: Antonio Cruz/Agência Brasil)

O Brasil, definitivamente, não é para os fracos. Estivemos – e ainda estamos – entregues a um grupo de magistrados desvairados, com muitas exceções, evidentemente. O ex-procurador-geral confessa que ia matar o ministro Gilmar Mendes e depois se suicidar, dentro do plenário do STF. Gilmar diz que Rodrigo Janot é um facínora e precisa de tratamento psiquiátrico. Parece briga de bar. No passado, o próprio Gilmar sugeriu que Janot proferia despachos embriagado. O uso de álcool na PGR seria uma praxe? O ex-ministro Joaquim Barbosa já havia insinuado, no passado, que ministros cometiam excessos, afirmando que Gilmar tinha capangas no Mato Grosso, onde possui fazendas. E ainda dizem que não precisamos de uma CPI da Lava Toga: para o bem do Brasil e do Judiciário, CPI-Já!

 

Ilegal

Nessa briga, o STF comete mais alguns desatinos. Está se valendo de um inquérito ilegal e inconstitucional que o ministro Dias Toffoli instaurou, para autorizar o ministro Alexandre de Moraes a mandar apreender uma arma legal que todos procuradores e advogados têm direito a portar, como é o caso do revólver apreendido na casa de Janot.

 

Não é crime

Por mais que a confissão seja uma aberração só para vender mais exemplares de seu fantasioso livro, não há crime algum no fato de alguém pensar em matar. Mas Janot não é só um maluco-beleza. Cometeu crimes de prevaricação, como os de não denunciar Temer e Aécio que lhe ofereceram vantagens para não incriminá-los.

 

Com o pé direito

Divulgação

O novo procurador-geral da República, Augusto Aras, começou bem na largada. Convidou o subprocurador José Adonis Callou de Araújo Sá para coordenar as investigações da Lava Jato na PGR. Ele é considerado um procurador rigoroso e elogiado por colegas da força-tarefa. Chamou também o procurador Ailton Benedito, de Goiás, para chefiar a Secretaria de Direitos Humanos. Ailton quase foi o novo PGR.

 

Retrato falado

“Bolsonaro não é uma liderança e tem que sair para o bem de todos” (Crédito:John Lamparski/Getty Images/AFP)

O líder indígena Raoní Metuktire, de 89 anos, um dos defensores do meio ambiente mais respeitados no exterior, foi esculhambado por Bolsonaro na ONU, mas não se intimidou. Como aprendeu a falar português com os irmãos Villas Bôas, disse, na semana passada, quando esteve na Câmara para participar do Fórum em Defesa da Amazônia:“Bolsonaro não é uma liderança”. E pediu para ele sair. Os integrantes do fórum gritaram: “Raoní sim, Bolsonaro não”. Índio deu um pito no presidente.

 

Economia capenga

O ministro da Economia, Paulo Guedes, mostra, a cada dia, que já não é mais o queridinho dentro do governo. Nesta semana, a Petrobras reajustou o preço da gasolina em 2,62%. Na semana anterior, havia aumentado em 3,5%. Em 15 dias, a alta do combustível, que tem o maior peso na inflação, é de 6%. Vale lembrar que a inflação anual é de 3,43%. Ou seja, subiu o dobro da inflação para o ano todo. Já-já vai ter chiadeira. Para piorar, o déficit do governo de janeiro a agosto foi de R$ 52,1 bi. E os ministros reclamam da falta de dinheiro. Bolsonaro tem outros ministros como interlocutores na economia: Onyx Lorenzoni, Tarcisio de Freitas e Augusto Heleno.

 

Informalidade

Segundo o IBGE, o Brasil tem 38,8 milhões de trabalhadores na informalidade, além dos 13 milhões de desempregados. Ou seja, 53 milhões de brasileiros estão sem proteção social. Em breve ficarão velhos e doentes e pressionarão as políticas públicas. Daí, o senhor Guedes vai dizer que não há recursos.

 

Senadores despudorados

Em um período no qual o Brasil enfrenta graves problemas de caixa, os senadores dão um grande mau exemplo. Gastam fortunas por mês com “locomoção, hospedagem, alimentação e combustíveis”, tudo com o dinheiro do Senado, mediante simples apresentação de nota fiscal com as despesas. Cinco deles são os campeões nesse tipo de desfaçatez neste ano.

 

Líderes da insensatez

Eis a relação dos cinco mais. Ciro Nogueira (PP-PI): R$ 185.304,63; Telmário Mota (Pros-RR): 176.192,01; Mecias de Jesus (PRB-RR): R$ 149.725,94; Paulo Rocha (PT-PA): R$ 131.718,83; e Humberto Costa (PT-PE): R$ 122.465,15. Como se vê, há dois petistas na lista dos gastões de dinheiro público. O vício do cachimbo faz a boca torta, diria o profeta.

 

“Quem vai querer investir num país desse?”

Tomaz Silva/Agência Brasil

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, mostrou-se indignado com a confissão de Janot. Em um seminário da FGV no Rio, na sexta-feira 27, o deputado comentou que um episódio como esse só ajuda a denegrir ainda mais a abalada imagem do Brasil no exterior. Afugenta investimentos para fomentar o crescimento.

 

Toma lá dá cá

Selma Arruda, senadora (Podemos-MT)

A senhora acredita que depois de aprovada a reforma em segundo turno no Senado a economia se recupera no ano que vem?
A economia tende a se recuperar, mas não já no ano que vem em razão apenas da Reforma da Previdência. Até porque, a previsão é de recuperarmos os prejuízos em dez anos. O que incrementa a economia de imediato é a reforma tributária, mas sem aumento de impostos.

Como a senhora vê a necessidade de incluir estados e municípios por meio da PEC Paralela?
Não sou a favor da inclusão de estados e municípios porque cada um deles tem uma realidade. Até porque, muitos governadores e prefeitos estão se escondendo atrás
do Congresso para não terem que dar explicações para seu eleitorado.

 

Rápidas

• A Engevix, uma das empresas envolvidas na corrupção que desviou milhões da Petrobras, está mudando de nome: vai se chamar Nova Participações. É assim que o empresário José Antunes Sobrinho, que pagou gordas propinas políticos, quer continuar tocando o barco.

• Ela seguiu os passos da Construtora Odebrecht, a campeã da corrupção no Brasil e no exterior. Agora ela chama-se OEC. Mas o patrono Emílio Odebrecht não quer que mais ninguém da família tenha cargo no grupo.

• O MPF quer que Lula deixe a cadeia, podendo terminar de cumprir os 8 anos em casa. O petista diz que se tiver que ficar de tornozeleira eletrônica, prefere continuar preso. Fora, vai ter que trabalhar. Não é seu forte.

• O governador João Doria comemora o recorde histórico na redução da criminalidade em São Paulo. O índice de assassinatos caiu de 7,4 por 100 mil habitantes em 2018 para 6,2 por 100 mil agora em 2019.


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