Edição nº2603 14/11 Ver edições anteriores

Brasiltina

Existe um país, ao sul do Equador, muito hermoso.

Talvez um dos mais ricos do mundo, culturalmente.

Na música foram os criadores do sambango, gênero musical que reverenciam todos os anos, em fevereiro, nos desfiles do Milongaval.

Na gastronomia, se você preferir uma comidinha rápida, pode experimentar a coximpanada, uma iguaria que você só encontra por lá.

Mas o prato típico de verdade, é o feijorrasco, uma combinação de feijon prieto com a mais tenra carne de porco Pantagônico.
Por falar na Pantagônia, se é natureza que se busca, precisa conhecer este lugar único, onde turistas podem encontrar de jacarés a geleiras.

No futebol, deram ao mundo os três maiores jogadores de todos os tempos: Pelé, Romário e Ronaldo. Cinco, se quisermos forçar a barra e incluir Maradona e Messi.

Mas apesar de toda essa riqueza musical, gastronômica, natural e esportiva, esse país nunca conseguiu se organizar politicamente.

Impossível prever quem vai subir a rampa do Palácio Rosado, na capital Brasiliares. Basta analisar a história recente para observar como oscila sem a menor lógica o pêndulo das preferências políticas desse povo.

Logo após o período da ditadura militar, o país se encheu de esperança.

O primeiro presidente eleito pelo povo foi Tancredo Raúl Alfonsarney, num período de transição muito difícil.

O povo, afinal, ainda não estava familiarizado com a democracia, mas teve que se adaptar.

Não é fácil lidar com um presidente poeta que não controla a inflação.

Lembro do orgulho nas ruas quando foi eleito o presidente Menenrique Cardoso.

Mas logo no primeiro dia de governo, o professor Menenrique disse:

– Esqueçam tudo que escrevi. E pronto.

Queimou o passado e virou um belo de um neoliberal, como estava na moda em todo mundo nos anos 90.

Seu governo foi marcado por altos e baixos.

Ao mesmo tempo que consolidou o fim da inflação, se envolveu em mais escândalos de corrupção, fazendo com que nenhum candidato sério quisesse segurar o rojão depois de concluídos seus dois mandatos.

Foi o que abriu espaço para a ascensão do Perolulismo.

Em 2002, Nestor Lulachner assume o governo para quase quinze anos de prosperidade de um lado e corrupção do outro.

Um tobogã de emoções que se tornou imprevisível quando sua mulher o sucedeu no poder.

Dilmistina Lulachner se mostrou ainda mais confusa que o marido.

Não falava coisa com coisa e levou o governo aos trancos e barrancos enquanto pode, escondendo a corrupção patrocinada por sua família por mais de uma década.

A situação tornou-se insustentável e Dilmistina caiu. Foi o fim da era Lulachner no poder.

Temacri, assumiu o Palácio Rosado.

(Não confundir Temacri com Temaki, que é um prato da culinária japonesa que não tem nada a ver com este artigo.)

Temacri tinha ligação com o mercado financeiro, principalmente através da indústria frigorífica.

O povo, farto de corrupção, do desemprego, da inflação, da recessão, exigia mudanças. E o país estava polarizado.

Mesmo com Temacri tentando governar, parte dos eleitores chorava a falta de Nestor Lulachner, enquanto a outra parte, farta do Perolulismo, desejava uma virada radical. Retornar, quem sabe, ao neoliberalismo do passado, que já não estava mais na moda, mas ao menos era diferente do que estavam acostumados.

Veio a eleição.

O candidato Alberto Angelnaro venceu com facilidade.

E finalmente o país parecia ter encontrado seu caminho.

Angelnaro era um conservador progressista. Um neoliberal socialista. Um Perolulista de direita. Um bipolar. Exatamente como o povo desse país tão maravilhoso. Agora vai.

Ficaremos de olho, porque Nestor Lulachner, apesar de morto, está mais vivo do que nunca. Mas não há o que temer, porque, como dizem por lá, “Dios é brasentino”.

País maravilhoso! No futebol, deram ao mundo os três maiores jogadores de todos os tempos: Pelé, Romário e Ronaldo. Cinco, se quisermos forçar a barra e incluir Maradona e Messi


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