Brasileiros do Ano 2018

O poder do humor

Curioso, observador e estudioso, Adnet foi o comediante que mais mereceu atenção neste ano no Brasil. Suas primorosas imitações de políticos conquistaram o público

Crédito: Orestes Locatel

Marcelo Adnet

Marcelo Adnet, 37 anos, é um homem movido por interesses inusitados e com múltiplos talentos. Tem predileção e facilidade para aprender línguas, fala 14, interesse por culturas diferentes, por hinos nacionais e gosta muito de jogar xadrez. Toca também ukulelê, um pequeno violão havaiano, e tem fascinação pelo Caribe, especialmente por Aruba e Curaçao. Uma das línguas que domina é o papiamento, falada nessas ilhas. “A verdade é que meus interesses acabam sempre voltando”, diz Adnet. “Sei cantar 40 hinos nacionais, inclusive todos do Caribe, um lugar que me fascina. Basicamente minha vida é movida a curiosidade, descobrimentos e estudos.”

Adnet foi o humorista que mais mereceu atenção neste ano no Brasil. Seu momento especial aconteceu durante as eleições, quando fez imitações dos candidatos à Presidência da República e aos governos de alguns estados. Para fazer o público literalmente chorar de rir, Adnet estudou o comportamento e os cacoetes lingüísticos dos candidatos. O resultado não poderia ter sido melhor. Depois de um primeiro trabalho de observação, entregou imitações primorosas que conquistaram o público. Conseguiu provocar muitas risadas em um período extremamente crítico. Um feito, portanto. “Acho que a eleição foi tensa para todo mundo. E, às vezes, merece ser assim. É um assunto importante, rola muita discussão, debate todo dia, piada, meme, escândalos. É quase uma Copa do Mundo”, diz. “Depois dessa eleição, que foi desgastante, torço para o melhor do Brasil, para que o governo vá bem”, completa.

Marcelo Adnet prepara, neste momento, o lançamento do primeiro filme que roteiriza, interpreta e é co-produtor, cujo nome provisório é “O pulo do gato”, com lançamento previsto para fevereiro. “É um filme que posso chamar de meu”, afirma. O filme conta a história de um menino suburbano do Rio de Janeiro que tem muitos talentos e trabalha com informática. Tem também uma mulher gananciosa que o impele a novos voos. Ele acaba virando pastor de sucesso, depois apóstolo e decide criar a própria igreja. “Não é uma comédia exatamente, é um drama com comédia. Você vai rir numa cena ou outra, mas é um filme que provoca outras sensações.” Para 2019, Adnet terá também o “Tá no ar”, com estreia em janeiro na TV Globo, e ele continuará fazendo suas sátiras políticas. Uma coisa é certa: o público voltará a rir muito com ele.