Brasileira com doença degenerativa faz vídeo antes de suicídio assistido na Suíça

Célia Maria Cassiano foi diagnosticada com uma doença neurodegenerativa que afeta o segundo neurônio motor -- condição que compromete progressivamente os movimentos e a fala, mas preserva a consciência

Célia Maria Cassiano
Célia Maria Cassiano Foto: Reprodução/Instagram

A brasileira Célia Maria Cassiano tinha uma doença degenerativa e por isso, segundo ela, decidiu ter “uma morte digna”. Na quarta-feira, 15, ela entrou em um quarto na Suíça, se deitou em uma cama e bebeu, por conta própria, uma substância prescrita por um médico e, pouco tempo depois, adormeceu e morreu. Não houve dor.

Na Suíça, o suicídio assistido é permitido por lei e segue um protocolo: após a morte, a polícia vai até o local para verificar a documentação, confirmar que houve consentimento livre e atestar a legalidade do procedimento. O corpo é então encaminhado para perícia e, posteriormente, cremado.

Para ter acesso a esse procedimento, é necessário o cumprimento de uma série de critérios médicos e legais, além de um custo em torno de R$ 65 mil (11 mil francos suíços).

Em um vídeo divulgado no Instagram antes de realizar o suicídio assistido, Cecília explicou que foi diagnosticada com uma doença neurodegenerativa que afeta o segundo neurônio motor — condição que compromete progressivamente os movimentos e a fala, mas preserva a consciência.

“Eu não queria ficar totalmente dependente, presa numa cama, ligada a aparelhos”, disse. A brasileira ressaltou que, nos últimos meses de vida, perdeu a autonomia: “Hoje eu preciso de três pessoas para me levarem ao banheiro: uma me levanta, uma tira minha roupa, outra me ajuda a sentar”.

“Eu estou no limite da minha dignidade”, desabafou. Cecília disse que a decisão de interromper a própria vida foi construída ao longo do tempo. “Eu decidi lutar pelo meu direito de ter uma morte digna”, emendou.

A brasileira afirmou que, para conseguir a documentação necessária para o procedimento, foi necessário omitir o objetivo final da viagem para conseguir avançar nas etapas burocráticas.

Dias antes de realizar o suicídio assistido, Célia decidiu decidiu fazer turismo. Visitou museus, caminhou pela cidade e foi a restaurantes. “Eu fiquei tranquila porque sabia que não ia ficar presa numa cama”, afirmou.

Antes de se despedir, deixou um recado que ultrapassa a própria história: “Lutem por esse direito no Brasil. Não é uma obrigação. É uma escolha”.

No Brasil, atualmente, não há legislação que autorize qualquer forma de morte assistida. O conceito engloba tanto o suicídio assistido —quando a própria pessoa administra a substância— quanto a eutanásia, em que um profissional realiza o procedimento. Nenhuma das duas práticas é permitida.