O Brasil zerou temporariamente a tarifa de importação de três variedades de arroz para garantir a oferta desse alimento essencial na dieta da população, após as enchentes históricas no sul do país, segundo uma decisão publicada nesta terça-feira (21) no Diário Oficial.

“Ao zerar as tarifas, buscamos evitar problemas de desabastecimento ou de aumento do preço do produto no Brasil, por causa da redução de oferta”, informou o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, em nota divulgada na segunda-feira antes da medida ser oficializada.

As inundações que acompanharam temporais intensos no Rio Grande do Sul, estado produtor de 70% do arroz brasileiro, afetaram as colheitas, embora sindicatos do setor indicam que a maior parte já foi colhida.

Até então, somente as importações de arroz de países-membros do Mercosul tinham tarifa zero.

Com esta decisão, que valerá até o fim do ano, as compras de arroz do resto do mundo também estarão livre de tarifas.

A medida deve-se à alta, supostamente especulativa, de até 30% nos preços do arroz, segundo declarações do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, em entrevista ao site g1.

“Nós demos uma demonstração ao Mercosul de que, se for querer especular, nós buscamos de outro lugar”, declarou Fávaro, em uma crítica aos parceiros do bloco, do qual também fazem parte Argentina, Paraguai e Uruguai (a Bolívia foi aceita como membro pleno e resta ao seu parlamento aprovar o protocolo de adesão).

“Nosso objetivo é evitar a especulação financeira e estabilizar o preço do produto nos mercados de todo o país”, declarou o ministro em um comunicado.

As entidades que representam os produtores de arroz do Rio Grande do Sul afirmaram que “não existe riscos de desabastecimento” no mercado de consumo. Segundo dados do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), o estado colheu 84,2% de sua área plantada, o que corresponde a 6,4 milhões de toneladas de arroz, antes de ser atingido pelas enchentes.

As autoridades destacaram o potencial para importação de arroz de países como a Tailândia, que até abril representou 18,2% do total importado do grão.

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