‘Brasil tem problema de memória’, diz Wagner Moura na Itália

ROMA, 29 JAN (ANSA) – O ator brasileiro Wagner Moura, estrela do filme “O Agente Secreto”, afirmou em entrevista à ANSA, em Roma, que o Brasil enfrenta “um grande problema de memória” ao lidar com sua própria história.   

De acordo com o ator, a forma como o passado do país foi contada ao longo do tempo contribuiu para a falta de responsabilização por crimes cometidos durante a ditadura militar.   

“O Brasil era uma colônia, foi colonizado por Portugal, e nossa história era contada a partir do ponto de vista dos assim chamados ‘vencedores’. Acho que o Brasil tem um grande problema de memória”, declarou Moura.   

O ator citou a Lei da Anistia, de 1979, como um marco negativo, tendo em vista que a legislação “basicamente perdoou os torturadores e assassinos que fizeram coisas desprezíveis contra civis no Brasil”.   

Na entrevista, Moura também falou sobre os acontecimentos políticos recentes, como a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e de militares condenados por uma trama golpista, destacando o que considera um momento inédito na história do país.   

“O que está acontecendo agora no Brasil, Bolsonaro foi mandado para a cadeia, e pela primeira vez militares foram mandados para a cadeia por atentar contra a democracia e tentar um golpe de Estado no Brasil, é único, isso nunca aconteceu antes”, enfatizou.   

Conhecido por papéis marcantes no cinema e na televisão, além de seu engajamento em temas políticos e sociais, Moura interpreta o professor Marcelo, que não é um agente secreto convencional e charmoso, mas um homem comum forçado a viver escondido.   

Ambientado no Recife, o longa é dirigido por Kleber Mendonça Filho e estreou na Itália nesta quinta-feira (29). “‘O Agente Secreto’ foi escrito com muito respeito e disciplina, baseado na memória e em registros para dar uma fotografia muito realista de como era o Brasil e como era estar no Brasil em 1977”, contou o diretor à ANSA.   

Entretanto Mendonça Filho destacou que a produção, vencedora de duas estatuetas no Globo de Ouro de 2026 e indicado a quatro categorias do Oscar, ainda “tem uma ponte para o futuro”: “A narrativa dentro do filme também se passa em 2025, e acho que essa troca é uma parte importante da experiência”. (ANSA).