O Brasil superou a marca de 400 mil mortes por coronavírus nesta quinta-feira (29), sem ver uma luz no fim do túnel devido à lentidão da vacinação e devido a deficiências de gestão atribuídas por muitos especialistas ao governo de Jair Bolsonaro.
O Ministério da Saúde registrou 3.001 mortes nas últimas 24 horas, elevando o saldo para 401.186, superado apenas pelos Estados Unidos. O número total de infectados em quatorze meses da pandemia chega a 14,5 milhões no país, de 212 milhões de habitantes.
O número de mortes aumentou exponencialmente desde o início do ano: em cinco meses passou de 100.000 para 200.000 óbitos (em 7 de janeiro), mas levou apenas 77 dias para chegar a 300.000 (em 24 de março) e 37 dias para chegar a 400.000.
“Tivemos um impacto importante com as novas variantes”, como a P1, explicou à AFP a epidemiologista Ethel Maciel, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Mais contagiosa e suspeita de ser mais grave, essa variante surgiu na Amazônia, se espalhou pelo país e levou muitas nações a fecharem suas fronteiras com o Brasil.
A segunda semana de abril foi a mais devastadora, com mais de 4.000 mortes em 24 horas durante dois dias.
Os números começaram a se estabilizar após quatro meses de aumentos vertiginosos: a média móvel de óbitos é de 2.526 por dia, após ultrapassar a marca de 3.000 há duas semanas. No entanto, o patamar permanece em níveis muito elevados.
Uma CPI foi instaurada na semana passada no Senado para investigar a gestão da crise por Bolsonaro e seu governo, no qual quatro ministros da saúde se sucederam desde o início da pandemia.
A investigação se concentrará principalmente na crise em Manaus, onde a falta de oxigênio levou à morte por asfixia de dezenas de pacientes com covid-19 em janeiro.