Ediçao Da Semana

Nº 2741 - 05/08/22 Leia mais

O Brasil angariou 3 Leões no último dia do Cannes Lions – Festival Internacional de Criatividade de 2022, elevando o total de prêmios das agências e anunciantes brasileiros para 70 neste ano, superando os 68 prêmios recebidos em 2021. Entre os destaques estão as agências brasileiras VMLY&R, Africa e David, que trouxeram para casa dois ouros cada. Diferentemente de 2021, no entanto, o País não recebeu nenhum Grand Prix (Grande Prêmio). O Estadão é o representante oficial de Cannes Lions no Brasil.

A David São Paulo venceu com uma campanha do Burger King que adotava uma linguagem ligada ao universo dos games. A partir de uma ferramenta “mobile”, a marca criou um jogo próprio em que os clientes tinham de encontrar “bugs” nas promoções do Burger King, tendo acesso a descontos. O trabalho recebeu ouros em Mobile e em Brand Experience & Activation. Edgard Gianesi, diretor executivo de criação da agência, destacou a relação de mais de uma década com o Burger King. “A gente é um grupo muito próximo de criação, produção e atendimento.”

Já os ouros da VMLY&R vieram nas categorias de entretenimento. Com o uso do metaverso, a agência criou uma experiência imersiva na cidade de Los Santos, uma réplica virtual de Los Angeles. A campanha para o Greenpeace mostra, de forma clara, os efeitos de um aumento na temperatura global nessa cidade fictícia, deixando claro que os problemas hoje vistos na tela podem, em breve, se tornar reais.

A Africa, por sua vez, recebeu Leões de Ouro por duas campanhas distintas. Em Outdoor Lions, o prêmio veio por uma campanha para a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). O trabalho reivindicava o status de “refugiado” para o jatobá, árvore que está em perigo em seu país de origem, o Brasil. O outro ouro veio em Social & Influencer Lions, pela campanha para a marca Brahma, da Ambev, que brincava com cortes de cabelo adotados por jogadores de futebol famosos. “É um case de humor. Usa o cabelo, que é uma identidade cultural das pessoas, para falar de cremosidade”, disse ao Estadão o vice-presidente de marketing da Ambev, Daniel Wakswaser.

Além das três agências, gigantes do mercado, a fluminense Tátil, especializada em design, também se destacou. Conhecida por ter criado a marca da Olimpíada de 2016 e pela cerimônia de abertura das Paraolimpíadas daquele ano, ela levou dois ouros, em Industry Craft e em Design, pelo redesenho da marca do carnaval do Rio de Janeiro.

“Esperamos realmente ajudar o Rio e o carnaval, num momento em que a imagem do Brasil está tão ruim no exterior”, disse o designer e publicitário Fred Gelli, fundador da Tátil.

Magalu e guaraná

Outras agências também subiram no palco de Cannes, direito reservado apenas a vencedores de Grand Prix ou Leões de Ouro.

A Ogilvy São Paulo recebeu o prêmio por seu trabalho com a Lu, influenciadora digital do Magalu. Marca e agência destacaram o reconhecimento por um trabalho de longo prazo, iniciado em 2005.

Já a agência independente Soko trouxe para casa um ouro para a campanha “Presos nos anos 80”, que apontava o fato de que os prêmios atuais oferecidos à seleção brasileira feminina de futebol são equivalentes aos que eram dados aos jogadores homens no início dos anos 1980. A ativação foi feita pelo Guaraná Antarctica, que há cinco anos patrocina o time feminino. “A campanha gerou um projeto de lei, que foi aprovado pela Câmara, mas ainda depende de sanção presidencial, para que os prêmios sejam equivalentes”, disse Felipe Simi, fundador da Soko.

Encerramento

No último dia de Cannes, o Brasil recebeu mais três Leões, todos de bronze: Gut São Paulo/Mercado Livre e Wieden+Kennedy/Nike, na categoria Film Lions, e para a TracyLocke/Centauro, que receberam um Leão na categoria Glass: Lion for Change.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.