O governo brasileiro decidiu rebaixar as relações diplomáticas com a Argentina nesta terça-feira (4), em resposta aos recorrentes ataques verbais do presidente Javier Milei contra seu homólogo Luiz Inácio Lula da Silva. A medida, comunicada pelo Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) ao embaixador argentino Daniel Raimondi, inclui o adiamento por tempo indeterminado do retorno do embaixador brasileiro Julio Bitelli a Buenos Aires. A representação diplomática brasileira na capital argentina passará a ser conduzida por um encarregado de negócios, marcando um precedente nas relações bilaterais recentes.
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- O Brasil rebaixa o nível das relações diplomáticas com a Argentina devido a ataques verbais de Javier Milei contra Lula.
- O embaixador brasileiro em Buenos Aires tem seu retorno adiado, e a representação diplomática será chefiada por um encarregado de negócios.
- A decisão ocorre após ofensas de Milei a Lula, classificadas como “sem precedentes”, e o apoio do presidente argentino a Flávio Bolsonaro.
A decisão do governo brasileiro foi formalizada pelo Itamaraty na terça-feira (4) ao embaixador da Argentina em Brasília, Daniel Raimondi. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, havia formalizado um protesto contra as declarações de Milei, que proferiu ofensas como “ladrão” e “presidiário” contra o presidente Lula. Tais ofensas foram classificadas pelo Brasil como um acontecimento “sem precedentes” nas relações entre os dois países.
Qual o motivo do rebaixamento diplomático?
O retorno de Julio Bitelli, embaixador do Brasil em Buenos Aires – que havia sido convocado para consultas recentemente –, foi adiado por tempo indeterminado. Com a medida, a representação brasileira na capital argentina será conduzida por um encarregado de negócios. Esta é uma ação considerada inédita na história recente das relações bilaterais entre Brasil e Argentina, tradicionalmente próximos.
As tensões entre Brasília e Buenos Aires já vinham em escalada nas últimas semanas, intensificadas pelos reiterados ataques de Milei. O mal-estar diplomático aumentou consideravelmente após a escalada da crise diplomática entre os países, que teve um dos seus ápices quando o presidente argentino participou de um evento do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na ocasião, Milei manifestou publicamente seu apoio ao lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro para as próximas eleições brasileiras, adicionando mais um ponto de atrito à já fragilizada relação bilateral. Até o momento, o governo argentino não se manifestou sobre a possibilidade de adotar uma medida de reciprocidade em relação à representação diplomática brasileira, conforme informações veiculadas pelo jornal “La Nación”.
Da IstoÉ com ANSA.