Brasil precisa de fundo garantidor e novo modelo de seguro rural, diz Augustin

O assessor especial do Ministério da Agricultura, Carlos Augustin, defendeu nesta segunda-feira (30) uma reformulação do seguro rural brasileiro, citando o modelo americano como referência. Nos Estados Unidos, segundo ele, 90% da área agrícola é segurada e o governo arca com 60% do custo, o que garante ao produtor condições de continuar produzindo mesmo após um ano ruim. “Aqui, no Brasil, quando dá um ano de crise, o produtor para tudo. Nós temos de resolver isso”, afirmou, durante a cerimônia de abertura do 6º Congresso Brasileiro de Direito do Agronegócio, promovido pelo Instituto Brasileiro de Direito do Agronegócio (IBDA), em São Paulo.

Augustin também apontou a ausência de um fundo garantidor como lacuna estrutural do sistema. “Outros países têm, funciona bem. Nós não temos”, disse. Ele destacou avanços no crédito rural privado e mencionou tratativas em curso no Ministério da Agricultura, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e outras entidades, para modernizar a legislação do setor e corrigir distorções acumuladas.

O assessor afirmou que o papel do Brasil na produção global de alimentos é inequívoco e de natureza geopolítica. Citou um programa do ministério com R$ 40 bilhões destinados à recuperação de terras degradadas. “O mundo precisa de alimento e nós estamos aqui para produzir. Isso não vai mudar”, disse.

Para Augustin, os avanços dependem da articulação entre setor privado, governo e Congresso. “Nada disso vai avançar se não tivermos o Parlamento ao nosso lado. Não polarizando, mas trabalhando para um bem maior”, concluiu.