O governo federal aprovou um plano estratégico para interromper e reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030. A iniciativa foi definida na sexta-feira (6), durante uma reunião do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima, em Brasília.
Chamado de Mapa do Caminho brasileiro, o documento reúne medidas destinadas a acelerar o cumprimento de metas ambientais e fortalecer a coordenação entre diferentes políticas públicas.
A estratégia também integrará a agenda apresentada pelo Brasil na 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP31), prevista para começar em 9 de novembro, na Turquia.
Plano reúne quatro frentes de atuação
O Mapa do Caminho brasileiro estabelece quatro áreas principais para a política de proteção florestal.
A primeira envolve a conservação e o uso sustentável das florestas, com iniciativas voltadas à preservação ambiental e à utilização responsável dos recursos naturais.
A segunda prevê a ampliação da restauração florestal, incluindo a recuperação de áreas degradadas.
Outra frente busca manter e fortalecer as operações de combate ao desmatamento ilegal e aos incêndios.
A quarta está relacionada à redução da supressão legal de vegetação, com apoio de instrumentos econômicos que incentivem a conservação.
O governo pretende integrar essas medidas a programas e estruturas já existentes.
Governo destaca queda do desmatamento
Segundo dados apresentados pelo governo federal, o desmatamento anual caiu 71,2% na Amazônia Legal e 48,4% no Cerrado entre 2022 e 2026.
Os números têm como referência levantamentos do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
O governo também informou reduções em outros biomas, considerando o período de agosto de 2024 a julho de 2025 em comparação com os 12 meses anteriores.
Nesse recorte, a queda foi de 65,4% no Pantanal, 41,7% no Pampa, 34,3% na Caatinga e 15,3% na Mata Atlântica.
As diferenças de período e metodologia precisam ser consideradas na interpretação dos resultados.
Financiamento será essencial para cumprir metas
A implementação do plano dependerá de recursos financeiros, assistência técnica e fortalecimento das instituições responsáveis pelas políticas ambientais.
O governo também pretende ampliar o acesso a tecnologias, inovação e instrumentos de mercado que favoreçam atividades econômicas sustentáveis.
A recuperação de áreas degradadas exige investimentos de longo prazo e acompanhamento técnico.
Além disso, a proteção das florestas depende da atuação coordenada de órgãos federais, estaduais e municipais.
O desafio será transformar as diretrizes aprovadas em ações capazes de produzir resultados permanentes.
Mercado de carbono também entra na agenda
Durante a reunião, o Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima aprovou diretrizes relacionadas ao funcionamento do mercado regulado de carbono brasileiro.
As medidas deverão orientar a implementação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), previsto na Lei 15.042/2024.
O objetivo é estabelecer mecanismos para acompanhar e regular emissões de gases de efeito estufa em atividades abrangidas pelo sistema.
A regulamentação envolve critérios de medição, comunicação e verificação das emissões.
O governo também definiu parâmetros para a participação brasileira em mecanismos internacionais de cooperação climática.
Brasil apresentará resultados na COP31
A conferência climática da ONU será uma oportunidade para o país apresentar suas políticas ambientais e defender compromissos internacionais mais ambiciosos.
Além do Mapa do Caminho, o governo aprovou documentos de transparência sobre emissões de gases de efeito estufa e o acompanhamento do Plano Clima.
Essas informações permitirão avaliar o andamento das políticas brasileiras e identificar áreas que exigem novos esforços.
A meta de interromper e reverter a perda florestal até 2030 representa um desafio que envolve fiscalização, desenvolvimento econômico e proteção da biodiversidade.
A efetividade do plano dependerá da continuidade das políticas públicas e da capacidade de transformar compromissos ambientais em resultados mensuráveis.
Da IstoÉ