Ediçao Da Semana

Nº 2742 - 12/08/22 Leia mais

Populismo eleitoral, irresponsabilidade fiscal, incompetência generalizada, cegueira ideológica, submissão política, rabo preso, fisiologismo, corrupção, sociopatia e pânico por crimes cometidos às pencas, tudo junto e misturado, levam Jair Bolsonaro, o verdugo do Planalto, e seus sócios e cúmplices do chamado Centrão, a desavergonhadamente armarem uma bomba-relógio, com dia, hora e local de destruição programados.

Mundo em estagflação (recessão com inflação), com crise de combustíveis e desabastecimento; mercados globais avessos a risco; recrudescimento militar das grandes economias; excesso de liquidez e inadimplência crescente; absoluta falta de líderes e de cooperação internacional, dentre outros fatores – mais ou menos relevantes – são o pano de fundo para a tragédia sócio-econômica que se avizinha no Brasil.

O País, a partir de 2023, experimentará uma de suas piores conjunturas combinadas na política, economia e sociedade: caixa estourado, total incapacidade de investimento, renda em queda, juros em alta, inflação resiliente e um novo governo, eleito pela minoria da população – seja o patriarca do clã das rachadinhas ou o meliante de São Bernardo -, sem apoio amplo no Congresso e engessado em seu orçamento.

Com a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) kamikaze aprovada no Senado – se confirmada na Câmara -, combinada com a possível compulsoriedade das emendas do relator (base para as tais emendas secretas), uma mistura cafajeste de gente cafajeste, o Brasil se tornará, somados os inúmeros problemas e aspectos levantados e detalhados acima, praticamente ingovernável, e à beira de mais uma quebra retumbante.

O que estão plantando Bolsonaro, Lira e companhia, muito mais do que crime eleitoral legalizado, será colhido, adiante, sob a forma de mais inflação e desemprego, combinada com imensas revolta social e crispação política, resultando em um perigosíssimo quadro de tensão social, algo que o devoto da cloroquina e meia dúzia de oficiais golpistas sonham dia e noite. A tempestade perfeita, pois, meus caros, está armada e seguramente chegará.

Pior, contudo, é que não se dissipará – por bem ou por mal – tão rápido, seja pela própria situação mundial, seja ainda pelo tamanho do estrago produzido. Já tivemos década perdida, década morna e década de crescimento zero. O cenário para a atual não é nada animador ou promissor. Se este governo é capaz de tudo para se manter no poder, a alternativa hoje existente é capaz de tudo para piorar o que já é péssimo.