O governo brasileiro mantém esforços para reverter as tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no início de junho, apesar de um esperado encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o líder americano durante a cúpula do G7 na França não ter se concretizado.
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O que aconteceu
- A imposição de novas tarifas de Trump, que elevam a taxação de produtos brasileiros a 37,5%, é vista como uma medida de caráter político pelo governo do Brasil.
- Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump se cumprimentaram brevemente na cúpula do G7, mas não houve agenda oficial para discutir as barreiras comerciais.
- O governo brasileiro considera a decisão de Trump uma tática de pressão para negociações, ignorando argumentos técnicos e estratégias comerciais.
Lula e Trump apenas se cumprimentaram na noite de ontem. Até o momento, não houve confirmação de uma agenda oficial entre os dois chefes de Estado, e as conversas sobre o tema permanecem restritas ao nível ministerial.
Embora não faça parte do G7, grupo formado por algumas das maiores economias desenvolvidas do mundo, o Brasil foi convidado para participar das reuniões realizadas nesta edição da cúpula, na França.
As negociações para tentar retirar as barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos começaram ainda no ano passado, quando Trump anunciou as primeiras tarifas sobre produtos brasileiros. Em novembro de 2025, houve um avanço nas tratativas com a decisão da Casa Branca de retirar a tarifa de 40% que incidia sobre diversos itens exportados pelo Brasil.
Por que as tarifas de Trump são consideradas políticas?
Na avaliação do governo brasileiro, a nova taxação de 25% anunciada neste mês não tem motivação predominantemente comercial. Integrantes do Executivo consideram que a medida possui caráter político e afirmam que ela ignora argumentos técnicos apresentados por representantes brasileiros ao longo dos últimos meses.
Para o governo, a decisão também segue uma estratégia já utilizada por Trump em outras ocasiões: recorrer à imposição de tarifas para ampliar seu poder de negociação em disputas comerciais e diplomáticas.
A estratégia de pressão americana
O uso de tarifas como instrumento de negociação é uma prática recorrente adotada por Donald Trump. Tanto no primeiro quanto no segundo mandato, o presidente americano deixou claro que pretende fortalecer a economia dos Estados Unidos e reduzir a concorrência de produtos estrangeiros.
Um dos exemplos ocorreu em 2018, quando Washington impôs tarifas sobre as importações de aço e alumínio, produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos. Posteriormente, os dois países negociaram um sistema de cotas que permitia a comercialização desses produtos com isenção ou redução das tarifas até determinados limites.
Na medida mais recente, o governo americano informou que uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluiu que o Brasil adota práticas consideradas “irrazoáveis” por impor custos ou restrições ao comércio com os Estados Unidos. Com base nesse entendimento, foi proposta uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
Em seguida, um novo decreto assinado por Trump incluiu o Brasil em uma lista de 60 países que, segundo o governo americano, não adotam medidas suficientes para impedir e fiscalizar a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A partir dessa justificativa, foi anunciada uma tarifa adicional de 12,5%, elevando a taxação potencial dos produtos brasileiros para 37,5%.
Apesar das medidas, o governo dos Estados Unidos divulgou listas com exceções às novas tarifas. No caso do Brasil, os produtos excluídos representam aproximadamente 60% de todas as exportações brasileiras destinadas ao mercado americano.
Da IstoÉ