Ediçao Da Semana

Nº 2742 - 12/08/22 Leia mais

A pesar de sempre nos surpreendermos com eventos de proporções globais, sejam de origem natural ou humana, como a pandemia da covid-19 e a guerra entre Rússia e Ucrânia, o fato é que tais eventos são recorrentes, porém, imprevisíveis. Na pandemia de 2019 houve a referência à gripe espanhola de 1918-1919, que surgiu no decorrer da Primeira Guerra Mundial. Mais recentemente, no final do século XX, o grande temor era a ocorrência do chamado “Bug do milênio”. Boa parte dos especialistas da área de tecnologia se preocupava com os efeitos colaterais sobre a cadeia global de serviços e suprimentos. Pois, havia o risco de os programas de computadores entenderem que as datas de 2000, que eram representadas apenas com os dígitos “00”, se referissem a 1900 e, com isso haveria um imenso colapso no sistema financeiro com perdas incalculáveis para as empresas e as famílias. Porém, neste evento, todos sobreviveram.

Atualmente, no século XXI, que iniciou em 2001, o mundo já passou por eventos de grandes proporções que afetaram as cadeias produtivas, mesmo que de forma moderada e de curto prazo, como foi o caso dos atentados terroristas contra as Torres Gêmeas, nos Estados Unidos, o tsunami no Japão (2004), a crise do Subprime no sistema financeiro norte-americano (2008) e as erupções do vulcão Eyjafjallajökull na Islândia (2010), para citar apenas alguns que afetaram a dinâmica da economia global.

A maior proximidade das culturas entre o ocidente e o oriente, promovida pela globalização das empresas e avanço na abertura econômica dos países, bem como a internacionalização de sistemas contábeis, financeiros, suprimentos etc, podem produzir mudanças de rumo da economia global em segundos e, pior, não há um sistema global de proteção.

A cada dia temos aprendido a lição de que os países não são ilhas de prosperidade, no qual seus gestores públicos podem tomar medidas monocráticas sem pagar um alto preço por isso. Hoje, todos os países são, de alguma forma, dependentes de insumos, matérias primas, bens e serviços. O Brasil, por exemplo, é o maior produtor global de grãos e carnes, bens essenciais para a sobrevivência humana; porém, nosso País peca na insuficiência de produção de combustíveis para atender a demanda local.

Não há solução simples. Ou os países sejam solidários e desenvolvam uma corrente de proteção global para amenizar os efeitos colaterais dos eventos imprevisíveis, ou continuaremos a viver ciclos de curta prosperidade, seguidos de ciclos de decadência econômica e social ao longo dos próximos séculos.

O Brasil, um País de proporções continentais, tem a grande chance de desenvolver um sistema próprio de proteção social e, com isso, sair dessa armadilha da dependência externa para alguns bens e serviços e, para tanto, nossos gestores públicos, principalmente municipais, precisam mudar a forma na qual enxergam o País, que é abrir mão do seu próprio legado (que geralmente querem fazer em 4 ou 8 anos de governo), e pensar em deixar um legado para a sociedade com elaboração e execução de planos de desenvolvimento de longo prazo, acima de 20 anos, para obter bons resultados. Caso contrário, estaremos todos, nós brasileiros, fadados à montanha russa econômica, com constante precariedade no mercado de trabalho e renda.