SÃO PAULO, 2 FEV (ANSA) – Por Renan Tanandone – Com uma inédita delegação de 20 atletas, o Brasil chega às Olimpíadas de Inverno de Milão e Cortina d’Ampezzo, na Itália, com chances reais de conquistar sua primeira medalha no megaevento esportivo, o que seria um feito notável para um país tropical onde a neve é praticamente inexistente.
As expectativas giram em torno sobretudo do esquiador Lucas Pinheiro Braathen, destaque da Copa do Mundo de Esqui Alpino, e da piloto de skeleton Nicole Silveira.
Aos 31 anos, a sledder brasileira pretende superar o 13º lugar obtido em Pequim-2022, e o sonho de um pódio vem sendo alimentado após uma temporada positiva na Copa do Mundo de Skeleton, na qual conquistou uma medalha de bronze e terminou no top 10 do ranking geral.
Já Braathen, norueguês naturalizado brasileiro de 25 anos, faturou cinco pódios na atual temporada da Copa do Mundo de Esqui Alpino, incluindo o primeiro ouro do país sul-americano na competição, onde ele já soma 10 medalhas com a bandeira verde e amarela desde 2024.
“Enxergamos Milão-Cortina 2026 com bastante confiança e responsabilidade. Graças ao talento dos atletas e ao trabalho consistente que vem sendo desenvolvido, o Brasil passou a figurar entre os melhores do mundo em algumas modalidades de inverno. Isso gera confiança em uma boa representação”, afirmou Emilio Strapasson, pioneiro do skeleton no país e presidente da Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG), em entrevista à ANSA.
“A expectativa é manter uma evolução contínua, com foco em disputar mais finais e alcançar resultados cada vez mais expressivos”, acrescentou.
Também chefe da Missão Brasileira nos Jogos Olímpicos de 2026, o dirigente disse que o país “já se consolida como a terceira força das Américas e a principal da América do Sul” nos esportes de inverno, com as competições na Itália se apresentando como uma “grande vitrine” para essas modalidades.
“Esse crescimento fortalece os esportes de neve e gelo, amplia a visibilidade e inspira novas gerações. Nosso objetivo é transformar a curiosidade do público em interesse contínuo. Para isso, estamos investindo em estratégias de comunicação, no fortalecimento internacional e em iniciativas inéditas fora do campo de jogo, como a primeira Casa Brasil de Inverno [em Milão]”, complementou Strapasson.
Por sua vez, o presidente da Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN), Anders Pettersson, disse que o país “nunca esteve tão perto” de conquistar um pódio inédito nas Olimpíadas de Inverno.
“As expectativas são muito positivas, e estamos bastante animados em voltar a competir na Europa, especialmente na Itália, um país acolhedor, com tradição e sucesso nos esportes de inverno”, declarou o cartola à ANSA.
Strapasson também lembrou a experiência do “Belpaese” com as edições de 1956, em Cortina d’Ampezzo, e 2006, em Turim, esta última marcada pelo melhor resultado do Brasil no evento, com Isabel Clark em nono lugar no snowboard cross.
Ao todo, o Brasil será representado por 15 atletas nos Jogos de 2026, superando a delegação recorde de 14 esportistas enviada a Sóchi, na Rússia, em 2014. (ANSA).