Caldo de galinha…

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É perda de tempo rememorar as inúmeras tentativas levadas a cabo nos últimos três anos com o objetivo de melar a Lava Jato. Foram e continuam sendo tantas que boa parte dos cidadãos já reage a elas sob o efeito anestésico produzido por manchetes que se repetem indefinidamente, perdendo capacidade de chocar, por mais escandalosos que sejam os fatos expostos.

Também não deve surpreender a diversidade de conspiradores, uma galera que inclui, em diversos níveis de envolvimento e discurso, presidentes, ex-presidentes, ministros, governadores, magistrados, juristas, partidos e, claro, políticos. Sendo tão articulada e poderosa essa frente ampla, tudo que a “República de Curitiba” não precisa é cometer erros que os fortaleça.

Moro, Dallagnol & seus Blue Caps, como é notório, fizeram movimentos que pareceram inspirados por seus inimigos. Da condução coercitiva de Lula à divulgação de grampos de Dilma; da coletiva do “power point” à prisão hospitalar de Guido Mantega, os erros de ação ou comunicação mais deram trunfos aos adversários do que fizeram avançar as investigações.

O juiz e os procuradores federais sabem o quanto de minas estão enterradas onde pisam e saltitar no terreno – prendendo blogueiros por causa de furos jornalísticos, por exemplo – é o menos recomendável.

Só os mal intencionados (ou comprometidos) negam o saldo altamente positivo que a Lava Jato acumula até aqui, mas a herança que vai deixar ainda depende de muitos capítulos a serem encenados em palcos onde os mocinhos nem sempre vencem.

Os ensaios mostram que os vilões da trama estão cada vez mais unidos e ousados, costurando a anulação de provas “licitamente obtidas mas criminosamente divulgadas” e blindagens legais aos suspeitos.

Num ambiente desses, ter cautela (não confundir com temor) é questão de vida ou morte, pois qualquer vacilo pode ser fatal. Basta ver o quanto cresceram os ataques à Lava Jato, nos últimos dias, a partir da barulhenta Carne Fraca.

O delegado Moscardi Grillo expôs um gravíssimo esquema de corrupção juntando frigoríficos, parlamentares e alguns fiscais do Ministério da Agricultura, mas o tsunami provocado pela espalhafatosa divulgação da “maior operação de todos os tempos da Polícia Federal” está fazendo a alegria dos que sempre surfaram nas ondas da impunidade.

TST
Palavra final
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A subseção de Direitos Individuais do TST decidirá nas próximas semanas se é lícito à American Airlines submeter seus empregados ao detector de mentiras, como meio para se prevenir contra atos terroristas. Há decisões na Corte admitindo o uso do polígrafo, mas também outras que afirmam ser exclusiva competência da polícia o uso de meios investigativos que invadem a intimidade de empregados.

Executivo
Chegou a hora

Depois de Geddel Vieira Lima, Ricardo Barros pode ser o segundo ministro do governo Temer a receber punição da Comissão de Ética da Presidência da República. As promessas de uso de verba da União para construir unidades de saúde, feitas em comícios nas últimas eleições no Paraná, colocaram o ministro na mira do colegiado. O caso será julgado nessa segunda-feira 27. O grau da pena vai da sanção pública à recomendação ao presidente para demitir Sua Excia.

Estatais
Na linha de frente

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Não caiu bem a maratona do presidente da Petrobras, Pedro Parente, percorrendo gabinetes de ministros do TST para entrega de memorial defendendo o fim do pagamento de adicionais de periculosidade e insalubridade para quem trabalha embarcado e nas refinarias da estatal. O caso foi tirado de pauta na semana passada, um novo relator foi designado e haverá audiência pública no tribunal, antes do julgamento. Normalmente, esse tipo de ação no TST fica a cargo de advogados. Parente na Corte soou a pressão.

MPF
Entre eles

Em sua última reunião, o Conselho Superior do Ministério Público Federal promoveu sete procuradores. Dos 171 candidatos, apenas dois vitoriosos – Leonardo de Freitas e Ronaldo Queiroz – atuam em processos relacionados à Lava Jato. O coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, foi um dos preteridos, por ter pouco tempo na carreira. O conselho voltará a se reunir em abril. Vitorioso numa lista tríplice, Cléber Eustáquio abriu mão de virar procurador regional. Preferiu continuar atuando em Uberlândia (MG).

Agricultura
Na crise, o amor

Fruto do grande trabalho de defesa agropecuária feito nos últimos anos, com diversos avanços, o Brasil estava prestes a anunciar ao mundo a erradicação da febre aftosa, quando a repercussão da Operação Carne Fraca paralisou as exportações do setor. Uma força tarefa está sendo montada para visitar os países mais reticentes ao produto brasileiro, a partir dos próximos dias. Curioso foi constatar, no meio desse tititi, a reação amigável entre Blairo Maggi e a ex-ministra Kátia Abreu. A crise dramática conseguiu unir o agro, sinal de que dias melhores virão.

Gestão
Alerta eletrônico

A Associação dos Delegados da Polícia Federal, o Instituto Brasiliense de Direito Público e a IBM desenvolverão ferramentas de inteligência artificial para detectar práticas de corrupção nas empresas, num momento em que as corporações buscam novas regras de cumpliance, ética e conduta. A partir de softwares, os gestores serão alertados quando houver infrações às normas institucionais. O convênio foi firmado na semana passada.

Casa Civil
O retorno

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Interlocutores de Eliseu Padilha notaram, na semana passada, visíveis sinais de cansaço e abatimento nessa sua volta à Casa Civil. Ele teria inclusive demonstrado surpresa diante da decisão do governo federal de retirar servidores estaduais da proposta de reforma da Previdência Social. Apesar de tudo, Padilha tem total interlocução com Michel Temer, fundamental para a sobrevivência de qualquer ministro no cargo.

Indústria
Os líderes

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No primeiro bimestre, Dorflex e Xarelto (prevenção de coágulos sanguíneos) colocaram a Sanofi e a Bayer na ponta dos fabricantes de remédios com maior receita no País. Em termos de volume, os líderes foram o Neosoro, da Neoquímica, e o Glifage (tratamento de diabetes), da Merck, segundo pesquisa da Quintilesims. E por falar no setor, a Bristol-Myers Squibb  terminou 2016 com 16 novos estudos clínicos de medicamentos. O salto de 128% em relação ao ano anterior alcança, sobretudo, novas drogas para o combate ao câncer.

STF
Raio-X

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Colegas de toga da ministra Cármen Lúcia vêm achando a presidente do STF mais cabisbaixa do que quando assumiu o órgão. Talvez pela dificuldade em pôr de pé as pautas que desejava. O mundo político é mais cruel do que se imagina, seja qual for a esfera do poder.

 


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