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Brasil ameaça deixar OMS e Trump diz que EUA está vencendo a COVID-19

Brasil ameaça deixar OMS e Trump diz que EUA está vencendo a COVID-19

Enfermeira trabalha junto ao leito de um paciente com coronavírus na unidade de terapia intensiva do hospital público Doutor Ernesto Che Guevara em Maricá, estado do Rio de Janeiro, 5 de junho de 2020 - AFP

O presidente Jair Bolsonaro ameaçou tirar o Brasil da OMS por trabalhar com “viés ideológico”, enquanto o colega americano, Donad Trump, disse que a economia americana se recupera da pandemia e a Europa reabre suas fronteiras pouco a pouco.

Da África aos Estados Unidos, passando por Europa e Ásia, os governos procuram reviver economias devastadas por semanas de restrições para conter o vírus, que contagiou cerca de 6,7 milhões de pessoas e matou mais de 395.500 no mundo desde que surgiu na China no fim de dezembro.

Os países europeus, entre os mais afetados, estão reativando consistentemente setores de suas economias e reabrindo fronteiras diante da desaceleração das taxas de infecção, enquanto a América Latina, especialmente o Brasil é, há algumas semanas, o epicentro do novo coronavírus.

Até o momento, a América Latina soma mais de 1,2 milhão de casos e mais de 60.000 mortes, mais da metade no Brasil, onde Bolsonaro se recusou a adotar medidas de confinamento em nível nacional e enfrentou governadores e prefeitos que as adotaram.

Imitando Trump, Bolsonaro ameaçou na sexta-feira retirar o Brasil da Organização Mundial da Saúde (OMS), que suspendeu os ensaios clínicos para o uso da hidroxicloroquina no combate ao coronavírus que os dois presidentes defendiam.

“E adianto aqui, os Estados Unidos saíram da OMS, e a gente estuda, no futuro: ou a OMS trabalha sem viés ideológico, ou vamos estar fora também. Não precisamos de ninguém de lá de fora para dar palpite na saúde aqui dentro”, declarou Bolsonaro à imprensa, em Brasília.

O Brasil, com 211 milhões de habitantes, tinha até a sexta-feira 645.771 casos e 35.026 óbitos, e é o terceiro país no mundo em número de óbitos. Sua situação ameaça também os vizinhos (Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Peru, Colômbia, Venezuela, Guana e Suriname).

O México, com 127 milhões de habitantes, registrava até a sexta-feira 13.170 mortes e 110.026 contágios; um pico de propagação e mortalidade que não impediu o governo a iniciar uma reabertura econômica e social.

O Peru, o segundo na região em número de casos (187.400) e o terceiro em óbitos (5.162), tem um sistema de saúde à beira do colapso e sofre uma dramática escassez de oxigênio para os pacientes graves.

– Europa abre suas portas –

O contraste com a Europa, onde o coronavírus fez estragos entre o fim de fevereiro e o começo de maio, não poderia ser maior.

Neste sábado foram reabertos locais emblemáticos, como o Palácio de Versalhes, nos arredores de Paris, e o Museu do Padro, o Rainha Sofia e o Thyssen, em Madri.

A Espanha (mais de 27.000 mortos) continuará na segunda-feira com seu cauteloso desconfinamento por etapas com a passagem de Madri e Barcelona à segunda e penúltima etapa que autoriza a abertura das praias para o banho de mar ou a parte interna de restaurantes.

A França (com mais de 29.000 mortos) declarou, por sua vez, que a epidemia está “sob controle”, já que o vírus circula agora a “baixa velocidade”, segundo Jean-François Delfraissy, presidente do conselho científico que assessora o governo.

O Reino Unido, que superou as 40.000 mortes, também aplica uma suspensão progressiva das restrições.

– Trump comemora –

Nos Estados Unidos, a bolsa fechou a semana em alta de 3,15%, estimulada pela surpreendente queda na taxa de desemprego em maio, um sinal de que a economia se reativa mais rápido do que o previsto.

Isto levou Trump a declarar que seu país tinha superado “em grande medida” a crise do coronavírus, que deixou 109.000 mortes e 1,9 milhão de caos declarados, tornando os Estados Unidos na nação mais afetada do mundo pela pandemia.

Os membros da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) e seus aliados, reunidos em Viena, na Áustria, decidiram prorrogar os atuais cortes de produção durante o mês de julho para sustentar os preços da commodity nos mercados visando contrabalançar os efeitos da pandemia.

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