Guilherme Amado Coluna

Coluna: Guilherme Amado, do PlatôBR

Carioca, Amado passou por várias publicações, como Correio Braziliense, O Globo, Veja, Época, Extra e Metrópoles. Em 2022, ele publicou o livro “Sem máscara — o governo Bolsonaro e a aposta pelo caos” (Companhia das Letras).

‘Brasil acordou’, diz Maierovitch sobre operação contra PCC na Faria Lima

Walter Maierovitch diz que país precisa de agência de combate a máfias como o PCC

Antonio Cruz/Agência Brasil
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

megaoperação contra a infiltração do PCC no mercado financeiro realizada nessa quinta-feira, 28, é um sinal de que “o Brasil acordou” para o combate às máfias, afirmou à coluna o jurista e desembargador aposentado Walter Maierovitch. “Vamos ver se ele não volta a dormir”, emendou.

Maierovitch é um dos principais especialistas em crimes transnacionais e explica que o PCC, que nasceu miúdo em presídios paulistas, pode ser considerado uma máfia e deve ser combatido como tal.

Ele afirmou que não causa surpresa a infiltração da organização criminosa na Faria Lima:

“É algo mais do que esperado porque, para quem estuda, para quem mergulha nas histórias da criminalidade organizada, transnacional, vai ver que essas organizações tentam o tempo inteiro se infiltrar no poder e conquistar poder.”

O jurista cita o caso italiano, em que a máfia corroeu o governo e envolveu um dos principais políticos do país, o ex-primeiro-ministro Giulio Andreotti, morto em 2013. Ele fala também do juiz que foi morto e considerado mártir na luta contra as máfias, Giovanni Falcone.

Walter Maierovitch

“Ele dizia que, para uma repressão, para um contraste eficiente, haveria necessidade de se atacar a economia movimentada por essas organizações criminosas. Falava também que há necessidade de cooperação, já que o crime não tem limitações de fronteiras, é transnacional ou entre Estados e sistemas federativos, como no Brasil.”

Para Maierovitch (foto acima), a operação, que reuniu PF, Ministérios Públicos e Receita Federal, acertou nesses dois pontos. Mas precisa avançar em identificar e punir quem não faz parte diretamente da organização criminosa, mas aderiu ou concorreu para que os crimes fossem praticados.

Ele explicou que, para que a máfia se infiltre nas esferas econômicas e de poder, precisa “ter aderentes, que não fazem parte de um PCC, que não fazem parte de um Comando Vermelho, mas que atuam em conjunto com eles”.

Para o ex-juiz, a operação coordenada das autoridades policiais com a Receita Federal foi um golpe para o PCC, comprometendo suas finanças. Foram localizados mil postos de gasolina, diversas fazendas e 40 fundos de investimento em que a organização criminosa atuava, perfazendo uma movimentação de cerca de R$ 52 bilhões.

“Foi uma atuação de peso, de desfalque mesmo patrimonial.”

O problema, registra o jurista, é que as organizações criminosas estão muito à frente do Estado, “viajam na velocidade da luz”.

Maierovitch lamentou que a proposta de criação de uma agência de combate às máfias tenha ficado para trás.

“A Polícia Federal bateu o pé e não quis essa Agência Nacional Antimáfia. Não quis, o que é um grande erro. E, imediatamente, vem uma operação dessa, como se a Polícia Federal estivesse a dizer ‘eu consigo coordenar tudo, e está aí a operação, e provo com isso a falta de necessidade de uma agência nacional’.”