O Botafogo é o novo líder do Campeonato Brasileiro. Ao menos até quinta-feira, quando Flamengo, até então o melhor, e Bahia, ambos com 14 pontos, entram em campo. O time de Artur Jorge dorme no topo da tabela graças a um gol do zagueiro angolano Bastos, que definiu o 1 a 0 sobre o Fluminense em bom clássico disputado no Engenhão.

O placar magro, porém, não reflete o que ocorreu na partida, na qual o Botafogo mostrou-se bastante superior ao Fluminense. Os mandantes desperdiçaram muitas chances claras, sobretudo com Júnior Santos, o que poderia evitar apreensão até o apito final.

Com sua terceira vitória seguida no Brasileirão, a quinta em oito rodadas, o Botafogo sobe para os 16 pontos. Já o Fluminense, com seis, abre a zona de rebaixamento e pode fechar a rodada entre os piores caso o Criciúma pontue em sua visita ao Athletico-PR.

Botafogo e Fluminense entraram em campo sob expectativas distintas no Engenhão. Os donos da casa miravam a liderança enquanto os visitantes queriam espantar de vez a má fase na competição para se distanciarem na zona de perigo.

Com a necessidade do triunfo, as equipes protagonizaram uma primeira etapa em alta intensidade, com velocidade e times bastante ofensivos. O placar zerado no intervalo não refletiu o produzido em campo. E ambos poderiam ter aberto o placar, com o Botafogo bem superior.

Pelo lado do Botafogo, que tomou mais as ações e chegou bem mais, Júnior Santos desperdiçou duas oportunidades que não costuma perder. Primeiro, recebeu dentro da área após erro de Ganso e bateu para Fábio defender. Depois, partiu de seu campo e, cara a cara, finalizou colocado e parou na trave. Lamentou bastante. De volta após bom tempo se recuperando de lesão, Tiquinho Soares pouco aparecia.

A resposta do Fluminense também veio com bola trave. Marcelo cruzou e Marquinhos cabeceou com estilo. A bola passou por trás de John e não entrou. Apesar de vistosa, a etapa chegou ao fim com os ataques lamentando as chances criadas e desperdiçadas, sobretudo do lado botafoguense, que pecou na falta de capricho.

Sem modificações e mais uma vez com início animado, o clássico continuou aberto. O Fluminense foi quem chegou primeiro, mas sem perigo. Já Tiquinho Soares viu o goleiro Fábio se antecipar, sair driblando e evitar o gol do Botafogo – o goleiro já havia falhado contra São Paulo e Juventude e mostrou arrojo. Logo depois, voou para espalmar a bomba de Luiz Henrique.

Sob enorme frisson da torcida, o jogo virou um bombardeio botafoguense. E com os jogadores arriscando de todos os lugares para derrubar a parede do Fluminense. A pressão era tão grande que o artilheiro Cano virou defensor.

Vendo sua equipe totalmente dominada, Fernando Diniz optou por modificações e chamou Renato Augusto e Isaac. Logo depois de trocar, porém, viu os rivais abrirem o marcador. A justiça no placar veio aos 20 minutos. Damián Suárez cobrou escanteio na cabeça do zagueiro Bastos.

A partida esquentou após a vantagem botafoguense. Irritado, os jogadores do Fluminense queriam briga a qualquer falta e mostravam um excessivo nervosismo. Co pouco tempo no relógio, Diniz abriu o time ao tirar dois marcadores para colocar Alexsander e Douglas Costa.

Quem chegou com enorme perigo, entretanto, foi Júnior Santos, desta vez para falhar na hora de definir o resultado. Ele arrancou, saiu na cara de Fábio e mandou pelo alto. O Fluminense ainda teve seis minutos de acréscimos para buscar a igualdade, mas a festa botafoguense se repetiu no clássico pela quinta vez seguida.

FICHA TÉCNICA

BOTAFOGO 1 x 0 FLUMINENSE

BOTAFOGO – John; Damián Suárez, Bastos, Alexander Barboza e Cuiabano; Gregore, Marlon Freitas e Tchê Tchê (Patrick de Paula); Luiz Henrique (Yarlen), Tiquinho Soares (Óscar Romero) e Júnior Santos. Técnico: Artur Jorge.

FLUMINENSE – Fábio; Samuel Xavier (Douglas Costa), Manoel (Alexsander), Marlon e Marcelo; Martinelli, Lima (Kauã Elias) e Paulo Henrique Ganso (Renato Augusto); Marquinhos, Germán Cano (Isaac) e John Kennedy. Técnico: Fernando Diniz.

GOL – Bastos, aos 20 minutos do segundo tempo.

CARTÕES AMARELOS – Damián Suárez, Tchê Tchê e Tiquinho Soares(Botafogo) e Marcelo, Martinelli e Ganso (Fluminense).

ÁRBITRO – Flávio Rodrigues de Souza (SP).

RENDA – R$ 1.117.380,00.

PÚBLICO – 27.239 presentes.

LOCAL – Engenhão, no Rio.