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Bombardeios turcos contra área curda na Síria, os primeiros em 17 meses (ONG)

Bombardeios turcos contra área curda na Síria, os primeiros em 17 meses (ONG)

(Arquivo) A fumaça sobe acima de áreas controladas por rebeldes da cidade de Saida, na Síria, durante ataques aéreos das forças do regime sírio em 4 de julho de 2018 - AFP


A força aérea turca bombardeou na noite deste sábado (20) uma área controlada por milícias curdas no norte da Síria, o primeiro ataque em 17 meses, afirmou o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

“Um avião de guerra turco atacou postos militares das Forças Democráticas Sírias (FDS, dominadas pelos curdos) no povoado de Saida, nos arredores de Ain Issa”, disse o OSDH.

“São os primeiros ataques aéreos desde a operação ‘Primavera da Paz'”, lançada em outubro de 2019 por Ancara e grupos sírios aliados contra as FDS no norte da Síria, informou à AFP o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

A operação, interrompida após dois acordos negociados por Ancara com Washington e Moscou, permitiu à Turquia tomar uma faixa da fronteira de 120 km de comprimento e cerca de 30 km de largura em território sírio.

Mas a cidade de Ain Isa e seus arredores permaneceram nas mãos das forças curdas.

Esses ataques ocorrem em momentos de combates ferozes no entorno dessa cidade estratégica, de acordo com o OSDH.

“Os confrontos entre os dois lados seguem há 24 horas (…) As forças turcas têm problemas para avançar e as FDS conseguiram destruir um tanque turco”, explicou Abdel Rahman.

Ancara considera as Unidades de Proteção Popular (YPG), uma parte das FDS, como a extensão síria do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), um grupo classificado como “terrorista” por Ancara e seus aliados ocidentais.

Porém, essa milícia curda também esteve na linha de frente na luta armada contra o grupo Estado Islâmico (EI) na Síria, com o apoio da coalizão internacional anti-jihadista.

Para conter a expansão territorial das YPG no norte da Síria, Ancara realizou desde 2016 três ofensivas militares contra o EI e os combatentes curdos.

Essas operações lhe permitiram controlar um território de mais de 2.000 km2 no norte da Síria, sobretudo na região de Afrin, um dos três acantonamentos da região “federal” curda, autoproclamada em 2016.

A guerra na Síria, desencadeada em 2011 pela repressão aos protestos pró-democracia pelo regime de Damasco, se complicou ao longo dos anos pela intervenção de atores regionais e internacionais.

A guerra já deixou mais de 388 mil mortos e milhões de pessoas deslocadas.


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