Bombardeio russo deixa mortos em cidade natal de Zelenski

Bombardeio russo deixa mortos em cidade natal de Zelenski

"CarroPresidente ucraniano criticou "fraca" reação dos EUA ao ataque a área residencial de Kryvyi Rih, que matou 19 pessoas, incluindo nove crianças, e feriu mais de 60.O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, criticou neste sábado (05/04) a "fraca" reação dos Estados Unidos ao ataque com mísseis russos contra uma área residencial em sua cidade natal, Kryvyi Rih, no sul da Ucrânia, que matou 19 pessoas, entre elas, nove crianças, e feriu mais de 60, incluindo um bebê de três meses e idosos.

O impacto de um míssil balístico atingiu um parquinho infantil, edifícios residenciais e um restaurante. Dos feridos, 40 continuam hospitalizados, incluindo duas crianças em condição crítica e 17 pacientes em condição grave.

"É muito importante que esse ataque russo contra as pessoas, contra a cidade, e todos os ataques desse tipo não passem despercebidos pelo mundo", escreveu Zelenski em seu canal no Telegram.

O chefe de Estado ucraniano expressou sua gratidão pela forte reação ao ataque russo por parte dos ministros das Relações Exteriores de República Tcheca, Finlândia, Lituânia, Letônia, Estônia e Áustria, bem como da chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, e das embaixadas de Reino Unido, Suíça e Alemanha.

"Infelizmente, a reação da embaixada dos EUA é desagradavelmente surpreendente: um país tão forte, um povo tão forte… e uma reação tão fraca. Eles têm até medo de dizer a palavra 'russo' quando falam sobre o míssil que matou as crianças", lamentou.

"Guerra precisa acabar"

O presidente ucraniano se referia a uma mensagem postada no X pela embaixadora dos EUA na Ucrânia, Bridget Brink, na noite de sexta-feira, que dizia: “Horrorizada com o fato de que esta noite um míssil balístico foi atingido perto de um parquinho e de um restaurante”.

Brink, que foi nomeada pelo antecessor de Trump, Joe Biden, e é embaixadora desde maio de 2022, acrescentou que "é por isso que a guerra precisa acabar".

Zelenski escreveu neste sábado: "Sim, a guerra precisa acabar. Mas, para acabar com ela, não devemos ter medo de chamar as coisas pelo nome".

Em postagens recentes, Brink não se referiu diretamente à Rússia, mas no sábado, após as críticas de Zelenski, ela se referiu aos "ataques russos" enquanto visitava a cidade de Kharkiv, devastada pela guerra.

"Devemos pressionar a Rússia, que escolhe matar crianças em vez de um cessar-fogo. Devemos impor sanções adicionais àqueles que não podem existir sem ataques de mísseis balísticos contra seus vizinhos. Devemos fazer todo o possível para salvar vidas", enfatizou Zelenski.

O presidente ucraniano indicou que seu governo conversou com os EUA sobre sistemas adicionais de defesa aérea para proteger a Ucrânia desses ataques de mísseis e explicou que confia na palavra de seu homólogo americano, Donald Trump, que "prometeu ajudar na busca por mais Patriots".

"E esperamos que a força do mundo supere esse mal, essa guerra, essa agressão russa", ressaltou, acrescentando que "somente com a força e o trabalho coordenado de nossos parceiros podemos parar a matança de pessoas, salvar vidas de crianças e estabelecer uma paz duradoura".

Acusações de ataques a sistema energético

A Rússia e a Ucrânia têm se acusado mutuamente de violar um suposto acordo para interromper os disparos contra instalações de energia, embora um acordo formal não tenha sido firmado.

Neste sábado, a Rússia alegou mais uma vez que a Ucrânia tinha como alvo sua infraestrutura de energia, com o Ministério da Defesa dizendo que Kiev havia atacado 14 locais nas últimas 24 horas. A Ucrânia classificou essas acusações como "falsas".

Em 18 de março, Putin aceitou a proposta do presidente dos EUA, Donald Trump, de estabelecer uma moratória de 30 dias sobre ataques contra as infraestruturas energéticas ucraniana e russa, à qual Zelenski se juntou uma semana depois.

Com o passar dos dias, a Rússia advertiu que se reserva o direito de tomar medidas após Kiev não cumprir com suas obrigações sob a moratória.

md (EFE, AFP, Reuters, DPA)