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Bolsonaro, um presidente provocador e sem máscara

Bolsonaro, um presidente provocador e sem máscara

(ARQUIVO) O presidente Jair Bolsonaro tosse depois de encontrar apoiadores que participavam de um protesto contra medidas de distanciamento social para combater o coronavírus em Brasília, em 19 de abril de 2020. - AFP/Arquivos

Depois de anunciar a alguns jornalistas que foi infectado pelo coronavírus, Jair Bolsonaro tirou a máscara, fiel à imagem de provocador “politicamente incorreto” com a qual foi eleito presidente do Brasil.

O presidente de 65 anos reconheceu que “devemos prestar atenção às pessoas mais velhas”, mas que “não vale a pena entrar em pânico” diante do que ele chamou de “gripezinha” por quatro meses, em referência a uma pandemia que já matou mais de 66.000 brasileiros.

Os próximos dias devem determinar se o presidente de extrema direita, no cargo desde janeiro de 2019, estava certo em março de se gabar sobre seu “histórico de atleta”.

“Se eu estivesse infectado com o vírus, não seria nada preocupante, porque sentiria no máximo uma gripezinha ou um leve resfriado”, disse ele.

Com a COVID-19, Bolsonaro enfrenta um novo desafio. Durante a campanha eleitoral, ele viu a morte de perto depois de ser esfaqueado no abdômen por um homem com distúrbios mentais.

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“Se ele vencer a COVID-19 sem sintomas graves, isso poderá fortalecer a visão entre seus partidários radicais de que ele é um super-homem messiânico”, tuitou nesta terça-feira (7) Oliver Stuenkel, professor da Fundação Getúlio Vargas, referindo-se ao nome do meio do presidente, “Messias”.

– Apoio dos lobbies –

A gestão da crise de saúde até o momento fez Bolsonaro perder apoio, enquanto suas bases se radicalizaram.

Apenas um ano e meio após o início de seu mandato, Bolsonaro enfrenta cinquenta pedidos de impeachment. Sua eleição pode ser anulada e seus filhos estão sob investigação por acusações de corrupção e disseminação de informações falsas.

Depois de entrar em confronto com governadores favoráveis ao confinamento e com os representantes dos poderes Legislativo e Judiciário, o ex-capitão do Exército suavizou o tom nas últimas semanas, mostrando-se um pouco mais conciliador.

Este ex-paraquedista chegou ao poder com um discurso que propunha “restaurar a ordem”, mas multiplicou as crises durante seu governo, com diversas demissões e renúncias de ministros.

Apesar de suas manifestações racistas, misóginas e homofóbicas, em outubro de 2018, contava com o apoio de 55% dos eleitores, a quem prometeu acabar com a corrupção, a violência, a crise econômica e a esquerda “podre” .

Bolsonaro costuma demonstrar nostalgia sem qualquer remorso pelos “anos de chumbo” da ditadura militar (1964-1985). Recentemente, despertou a ira dos defensores da democracia, ao sugerir que poderia recorrer às Forças Armadas para resolver a crise institucional.

Milhões de seguidores seguem esse entusiasta das mídias sociais, uma prática compartilhada por seu admirado colega americano Donald Trump.

Longe de ser um ótimo orador, esse homem de olhos azuis sabe como se dirigir a seus eleitores com frases simples e diretas.

Ele ganhou o apoio de poderosos lobbies do Congresso (grupos de influência), particularmente do agronegócio e de representantes evangélicos, da confissão de sua jovem esposa Michelle.

Por sua condição de católico, alguns ficaram surpresos de que seus cinco filhos (os três primeiros políticos como ele) sejam de três casamentos.

– Grosserias –

De origem italiana, Bolsonaro nasceu em 1955 em Campinas, no estado de São Paulo. Ele seguiu uma carreira militar marcada por episódios de insubordinação.

Aprendeu a pescar, entre outros pequenos trabalhos e a procurar ouro com seu pai Percy Geraldo Bolsonaro, ‘garimpeiro’ na Serra Pelada, nos anos 80.

Bolsonaro passou a maior parte de sua carreira política no Rio, onde foi eleito vereador em 1988 e obteve seu primeiro mandato como deputado federal três anos depois.

Como parlamentar, se destacou mais por suas provocações na Câmara do que por seus projetos aprovados: dois em 27 anos.

Em 2014, protagonizou um escândalo ao se confrontar violentamente com a deputada de esquerda Maria do Rosário, dizendo que ela “não merecia” ser estuprada por ser “muito feia”.

Dois anos depois, elogiou um torturador da ditadura militar.

Bolsonaro também fez declarações homofóbicas: em uma entrevista à revista Playboy em 2011, disse que preferia ter um filho “morto em um acidente” do que um homossexual.

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