Bolsonaro, o verde

Crédito: José Manuel Diogo

(Crédito: José Manuel Diogo)


Rolou um clima na cúpula e Bolsonaro disse: “Coincidimos, Senhor Presidente Biden, com o seu chamado ao estabelecimento de compromissos ambiciosos. Nesse sentido, determinei que nossa neutralidade climática seja alcançada até 2050, antecipando em 10 anos a sinalização anterior”.

A fala é boa. Mesmo que Biden nem estivesse ouvindo (ele levantou da cadeira quando o presidente falou) e Bolsonaro estivesse mentindo. Ela é boa porque mostra um Brasil convergindo com o mundo num dos pontos onde é mais importante o Brasil convergir. No ponto onde o Brasil é vital para a humanidade.

Concordar com Bolsonaro é raro e é preciso fazê-lo com caução. Mas devemos fazê-lo. Porque é melhor concordar com ele mentindo para o bem o Brasil, que discordar daquelas verdades que às vezes ele fala. Quando Trump estava na Casa Branca ele dizia o contrário, mas hoje, ao anunciar uma nova rota de posicionamento ambiental para o Brasil, mesmo que seja mentira, isso é positivo. Até relevante .

 

O Brasil não irá explodir numa euforia verde e acabar com toda clorofilagem ilegal na Amazônia. Nem é presumível que o mesmo Bolsonaro que acusava o ator americano Leonardo Di Caprio de ser incendiário — há menos de dois anos — tenha mudado radicalmente a sua ideia sobre o desmatamento.


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Mas não são as ideias de Bolsonaro que interessa aqui: é a mensagem que ele passa, transmitindo para o exterior (e para os seus eleitores) que o Brasil se preocupa (de novo) com o ambiente.

O caminho para conseguir o apoio internacional não é o enfrentamento irresponsável e jocoso com que o presidente muitas vezes — vezes demais — delapida a imagem do Brasil lhe angariando fama de “pária mundial”. Isso custa uma grana preta! E dá uma dor que é um dó…

Se o Brasil tem a maior extensão de florestas tropicais do mundo e a segunda maior cobertura florestal do planeta, é também fundamental não esquecer que, ao contrário da maior parte dos países atingidos pelos danos causados pelas alterações climáticas, o Brasil não destruiu todas as sua florestas no passado. E deve ser compensado por isso.

Assim, quando o presidente reclama a necessidade de apoio financeiro da comunidade internacional para a preservação da Amazônia, ele tem mais chances de ser ouvido. E o clima mais chances de ser defendido. E o mundo mais chances de ser salvo. E o Brasil mais chances de ser próspero.

 

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Sobre o autor

José Manuel Diogo é autor, colunista, empreendedor e key note speaker; especialista internacional em media intelligence,  gestão de informações, comunicação estratégica e lobby. Diretor do Global Media Group e membro do Observatório Político Português e da Câmara de Comércio e Indústria Luso Brasileira. Colunista regular na imprensa portuguesa há mais de 15 anos, mantém coluna no Jornal de Notícias e no Diário de Coimbra. É ainda autor do blog espumadosdias.com. Pai de dois filhos, vive sempre com um pé em cada lado do oceano Atlântico, entre São Paulo e Lisboa, Luanda, Londres e Amsterdã.


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