Edição nº2582 20/06 Ver edições anteriores

Bolsonaro não engana ninguém

Alguém haverá de suspirar com o título acima. Quem sabe até um “agora é tarde!” ganhe voz alta. Todavia, o fato é merecedor de registro: sustentado apenas por narrativas e o fanatismo de quem não entende como funcionam os instrumentos democráticos, o presidente da República já não engana mais ninguém.

Há quem aponte a força das redes sociais e do WhatsApp para justificar o resultado das últimas eleições. Faz sentido. Há também quem pondere o desalento da sociedade em relação ao establishment político. Tal hipótese igualmente não pode ser desconsiderada. Contudo, o fato preponderante para a vitória de Jair Bolsonaro foi mesmo a rejeição ao PT.
Uma repulsa compreensível, depois de tudo que aconteceu ao País sob a batuta de Dilma Rousseff e a revelação, pela Operação Lava Jato, de uma azeitada máquina de corrupção petista.

Isso é importante de ser estabelecido para posicionar, dentro de um cenário real, o verdadeiro cacife político de Bolsonaro: a maior parte do eleitorado responsável por levá-lo à Presidência foi formada por pessoas que em momento algum sentiram-se atreladas ao bolsonarismo.

É importante que isso fique estabelecido para apontar que a lábia do candidato eleito precisou seduzir menos pessoas do que a contagem de votos fez supor.

Somado ao fato de que há uma incompatibilidade para exercer o cargo, algo admitido por ele próprio, a afirmação de que Jair Bolsonaro não engana mais ninguém ganha contornos de redundância. Entretanto, uma pequena fração de pessoas se encontra em uma espécie de limbo. Achatadas entre os ditos bolsominions e a massa que simplesmente não titubeou em eleger quem julgou menos pior.

Como as sucessivas pesquisas de opinião começam a descortinar, esse pessoal também está deixando de levar fé na fabricação do mito. Convenhamos, após os primeiros seis meses de mandato terem sido preenchidos em quase sua totalidade por crises geradas no seio do próprio governo, quem pode culpá-los?

Entende-se, assim, o porquê de a espinha dorsal do discurso bolsonarista se basear em retóricas eleitorais e embates ideológicos – estratégia essa que não deveria surpreender ninguém, caso se intensifique.

O problema é que, com a queda da popularidade, essa fabricação de polêmicas tende a perder o viço. E Bolsonaro, enfim, terá de honrar a mitologia criada em torno de si. Ou sucumbirá mais rápido do que imagina.

Com a queda da popularidade, a fabricação de polêmicas tende a perder o viço. Logo Bolsonaro terá de honrar a mitologia que criou para si


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