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Bolsonaro exonera Bebianno da Secretaria-Geral da Presidência

Bolsonaro exonera Bebianno da Secretaria-Geral da Presidência

(Arquivo) O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno - AFP

Após vários dias de tensão, o presidente Jair Bolsonaro exonerou nesta segunda-feira (18) um de seus principais ministros, na primeira grande crise interna do governo que assumiu o poder em 1º de janeiro.

Bolsonaro “decidiu exonerar nesta data do cargo de ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República o senhor Gustavo Bebianno Rocha”, anunciou o porta-voz de Bolsonaro, Otávio de Rego Barros.

Ao ser questionado sobre os motivos da decisão, Barros respondeu que estas eram “de foro íntimo” do chefe de Estado.

Bebianno foi substituído pelo general Floriano Peixoto, oitavo militar a integrar o primeiro escalão do gabinete de 22 ministérios.

Como presidente do Partido Social Liberal (PSL), Bebianno foi um dos principais articuladores da campanha de Bolsonaro. E foi recompensado com um cargo ministerial de confiança, instalado no Palácio do Planalto.

Mas seu caminho se cruzou com o de um dos filhos de Bolsonaro, o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro.

Uma investigação do jornal Folha de S. Paulo revelou neste mês um suposto esquema de criação de candidatos laranjas do PSL para receber fundos eleitorais nos estados de Pernambuco e Minas Gerais nas eleições de outubro.

Bebianno, que nega estar envolvido nas contas regionais do partido, tentou minimizar a crise e afirmou que havia conversado várias vezes com o presidente enquanto este estava internado em São Paulo, recuperando-se de uma cirurgia abdominal.

Mas Carlos Bolsonaro negou a existência desses contatos e seu próprio pai lhe deu a razão pouco depois, afirmando que Bebianno “mente”.

Revelou, ainda, que havia ordenado a abertura de uma investigação policial sobre o então ministro.

Desde então aliados do presidente se dividiram em torno ao protagonismo que Bolsonaro deu a seu filho Carlos, que não ocupa nenhum cargo no governo federal, e à forma como tratou Bebianno, um de seus homens de confiança.

A crise afetou os mercados, que temem que o desgaste político de Bolsonaro comprometa o avanço da reforma da Previdência.

Nesta segunda-feira, a Bolsa caiu 1,04% e o real se desvalorizou perante o dólar, fechando a 3,73 unidades, ante 3,70 na sexta-feira.