Bolsonaro, entre a cruz e a caldeirinha

Crédito: Reprodução/YouTube

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Está ficando divertida a situação de Jair Bolsonaro. 

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Depois de sentir o gostinho da popularidade que o auxílio emergencial lhe trouxe, tudo que o presidente queria era um programa assistencialista para pôr na rua no pós-pandemia, algo que despejasse dinheiro por todos os rincões do país e pudesse ser esfregado na cara da esquerda. 

Ao mesmo tempo, ele morre de medo de sofrer impeachment como Dilma Rousseff, por cometer alguma irresponsabilidade com um dinheiro público que, a rigor, não existe – o que há é um déficit fiscal de muitos e muitos bilhões.

Entre o desejo de gastar e a falta de recursos, só resta a Bolsonaro a frustração.

De tão frustrado, o presidente perdeu as estribeiras na manhã de hoje (ia dizer que ele perdeu a compostura, mas ninguém perde o que não tem; estribeira vem mais a calhar).

Espumando em um vídeo, ele disse que não quer mais ouvir falar do programa Renda Brasil até o fim do seu governo, em 2022 (amém). Lembremos que o Renda Brasil, que foi sem nunca ter sido, deveria substituir com vantagens o Bolsa Família, que tem carimbo do PT. 

O motivo da irritação foram manchetes de jornal dizendo que a equipe econômica estudava congelar benefícios previdenciários para bancar o novo programa de transferência de renda.

Só faltou Bolsonaro subir na mesa e sapatear sobre os papéis onde as manchetes, que ele mostrava à câmera, estavam impressas. E convenhamos que ele tinha algum motivo: os amadores do Ministério da Economia até agora não entenderam que o presidente quer aprovação, e que isso não se consegue maltratando velhinhos.

Entende-se que não há de onde tirar dinheiro, que os técnicos fazem todo tipo de conta para tentar encontrar os bilhõezinhos necessários. Mas esses cálculos maldosos devem ser feitos em segredo, sem vazar para a imprensa. Ou, muito menos, ser anunciados em público – como fez o secretário da Fazenda Waldery Rodrigues. 

Ao mesmo tempo em que Bolsonaro, com os lábios trêmulos, desistia do Renda Brasil – e ameaçava dar cartão vermelho a qualquer assessor que venha lhe falar mais uma vez em tirar benefícios de pobres – uma nova missão era endereçada ao ministro da Economia, Paulo Guedes.

O negócio agora é criar empregos em massa. E parece haver uma ameaça implícita no tom irritado do presidente. Algo como: “Será que essa vocês vão conseguir tirar do papel?”

Guedes tem um plano. Ele quer fazer uma mega-desoneração da folha de pagamento das empresas brasileiras. Mas, como isso significa tirar recursos dos cofres depauperados da União, é preciso que haja uma contrapartida.

Alguém adivinha o que seria? Exatamente: a nova CPMF. O novo imposto sobre transações digitais sobre o qual o ministro vem falando há meses, como se fosse um disco riscado. Aquele, contra o qual existe uma enorme má vontade na sociedade, no Congresso, no entorno palaciano do presidente e, segundo alguns sinais do passado, na cabeça do próprio Bolsonaro. 

Ninguém pode negar que Paulo Guedes é persistente. Persistente a ponto de ser chato. Duvidoso é que ele consiga virar a maré da opinião pública a ponto de emplacar o tributo que o obceca. 

E se não rolar? Será que ele tem algum plano alternativo para fomentar a criação de uns sete ou oito milhões de empregos rapidamente? Ou vai dizer ao presidente que olha, veja bem, sem imposto não tem desoneração de folha, e sem desoneração não tem emprego em massa, tá okey? Pode ser que baixe o santo e Guedes realize um milagre. Mas as perspectivas não são muito boas.

Se o ministro não conseguir articular alguma medida econômica que traga esperança para o ano que vem, Bolsonaro ficará ainda mais aflito. E pode decidir que é hora de dar ouvidos à outra ala do seu governo, a ala desenvolvimentista composta pelos militares e por ministros civis como Rogério Marinho.

Os desenvolvimentistas acham que o caminho para sair da crise e ainda alavancar a popularidade do presidente é gastar dinheiro público. Mas aí vem o “risco contábil”, e o risco de impeachment, e o medo do presidente…

Entre o mar e o rochedo, entre Sila e Caribdis, entre a cruz e a caldeirinha. Jair Bolsonaro parece estar em algum lugar por aí. Divertido.

 

 

 

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