Bolsonaro é o perfeito idiota latino-americano

Bolsonaro é o perfeito idiota latino-americano

Aira Ocrespo dá os retoques finais em um grafite que retrata o presidente Jair Bolsonaro usando 'máscara' contra o coronavírus em seu estúdio no Rio de Janeiro, 18 de março de 2020 - AFP

Escrito, em tese, como forte crítica às esquerdas latino-americanas, o antigo – mas sempre atual – livro Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano, do renomado escritor peruano Mário Vargas Llosa (em coautoria com Plínio Apuleyo Mendoza e Carlos Alberto Montaner), parece ter previsto, perfeitamente, aquele que, em pleno ano da graça de 2020, como presidente da República do Brasil, representaria com exatidão, e uma dose gigantesca de estupidez, a idiotia típica dos populistas, nacionalistas e, não muito diferente dos extremistas de esquerda, brucutus da neo-ultra-direita brasileira.

A coleção de batatadas de Jair Bolsonaro é mais extensa que o próprio livro de 400 páginas, afinal, lá se vão mais de três décadas de ativismo tosco, xenófobo, preconceituoso e limitado a uma parcela de iguais da sociedade. Porém, especialmente este ano, após o início desta maldita pandemia de coronavírus, nosso Capitão Cloroquina ergueu-se às raias da loucura e obtusidade. Pior. Encarnou o perfeito idiota latino-americano, e ainda que com o sinal trocado, emula as piores práticas autoritárias, negacionistas, obscurantistas e mentirosas de antigos e atuais ditadores de esquerda sul-americanos.

Se o forte de Bolsonaro – no mau sentido, por óbvio – é sua completa ignorância sobre tudo, seu fraco, igualmente no mau sentido, é conduzir o País ao caos inevitável, seja político, social e, sobretudo, econômico. Enquanto demoniza nosso maior parceiro comercial, a China, e ameaça com pólvora o nosso segundo maior parceiro, os EUA, sem esquecermos das ofensas constantes proferidas contra “nuestros hermanos argentinos” (o terceiro ou quarto maior parceiro comercial do Brasil), no campo interno, investe contra a cisão da sociedade e ataca, mais uma vez, a democracia nacional.

Ao (novamente) colocar em dúvida nosso sistema eleitoral, ainda alinhado ao tipo de pensamento trumpista, derrotado fragorosamente nos EUA, Bolsonaro deflagra nova frente de batalha contra o Poder Judiciário. No âmbito do legislativo, assiste ao crescimento vigoroso dos partidos de centro, especialmente DEM e PSD, momentaneamente tidos como base de apoio do governo. Na economia, a catástrofe é quase certa para 2021 e 2022. Com relação à Covid-19, tudo como dantes: negacionismo, descontrole, incompetência, ingerência etc. E na política externa, como já dito, um desastre monumental.

A China acaba de compor, ao lado de quase duas dezenas de outros países, o maior bloco regional e econômico do mundo, o RCEP (Regional Comprehensive Economic Partnership), que corresponde a cerca de 30% do PIB mundial e da população global. O Brasil, que hostiliza o Mercosul, se afasta dos Estados Unidos, e adota uma espécie de “chinofobia”, enquanto se pega com a União Europeia nas questões ambientais, caminha ligeiro para um isolacionismo diplomático e econômico sem precedentes. No momento em que o mundo pós-pandemia precisará de união, encontraremos o ocaso.

Nesta terça-feira (17), o amigão do Queiroz prometeu divulgar uma lista de países que compram madeira ilegal do Brasil. “Cuma”? É o que diria o genial Didi Mocó. “Países comprando madeira ilegal”? Bolsonaro mente, mais uma vez, pois deveria ter dito: “empresas europeias que compram madeira ilegal”. Mas se pode confundir, pra que esclarecer? E mais: onde fica o Brasil – aí, sim, o País – nessa história toda? Afinal, só se compra algo de quem produz. Ou a madeira ilegal brota da terra? Bolsonaro segue passando vergonha e nos fazendo passar vergonha. E há quem aplauda, pois tão ignóbil quanto.

E tudo, meus caros e bravos leitores que chegaram até aqui, exclusivamente por conta da ignorância e estupidez onipresentes – e mais que comuns – nos perfeitos idiotas latino-americanos, sejam eles de esquerda, centro ou direita. Afinal, certas mazelas não escolhem ideologia, credo, gênero e cor, tampouco o continente onde pousar. Ainda que, por aqui, neste contexto, pareçamos o aeroporto de Atlanta (Geórgia), nos EUA, o mais movimentado do mundo. Geórgia que, aliás, defenestrou Donald Trump, o perfeito idiota norte-americano. Como eu disse, não há fronteiras para idiotas.

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