Bolsonaro e Lázaro Barbosa: mais semelhanças que diferenças

Crédito: AFP e Reprodução

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No dia mais fúnebre da nossa história, quando pranteamos os 500 mil parentes e amigos que se foram por causa deste maldito coronavírus, com o luxuoso auxílio do governo e de irresponsáveis e egoístas Brasil afora, Jair Bolsonaro, o verdugo do Planalto, e miseravelmente presidente da República, não conseguiu espaço na sua agenda de ‘coça-saco’ para, ao menos, proferir o protocolar ‘sinto muito’ aos milhões de brasileiros enlutados.ƒsena

Neste mesmo dia, o ministro das comunicações, Fábio Faria, veio à público, e não só não se solidarizou com a população, como aproveitou para debochar daqueles que protestaram contra a política homicida de seu governo: ‘em breve vocês verão jornalistas, políticos e artistas lamentando o número de 500 mil mortes, mas nunca os verão comemorar os 18 milhões de curados’. A fala é asquerosa e infame, mas também sofista, já que não há como – nem porque – ‘comemorar’ curados em meio a tantas tragédias pessoais.

Já seu patrão, o devoto da cloroquina, não perdeu a oportunidade de praticar o populismo diário e ‘puxou o saco’ dos policiais que estão à caça do ‘serial killer’, Lázaro Barbosa, mais uma vez foragido e ‘tocando o terror’ por onde passa na sua fuga. Bolsonaro, o amigão do miliciano Queiroz, o carequinha que abasteceu a conta da primeira-dama com 90 mil reais em ‘micheques’, gosta mesmo de ‘tiro, porrada, bomba’. Chorar os mortos para que, afinal? Temos de deixar de mimimi e de ser maricas, e enfrentar o vírus de peito aberto, porra!

PSICOPATIA

Não resta a menor dúvida quanto aos traços patológicos do assassino cruel, que há décadas faz chacota com a Justiça. Lázaro matou, roubou, estuprou e, a cada vez que foi preso, tratou de fugir – ou de ser solto pelo próprio judiciário – para espalhar o horror novamente. É o típico caso de um selvagem irrecuperável. Sua gênese é destruir a vida dos outros (guardem essa frase!), já que a sua, pelo visto, é insuportavelmente triste e macabra. Seu combustível diário é o ódio por tudo aquilo que, de sua forma doentia e deturpada de enxergar o mundo, lhe traz algum tipo de ameaça (guardem essa frase também!).

Jair Bolsonaro, o maníaco do tratamento precoce, é igualmente um sujeito com traços claros de psicopatia, sociopatia, narcisismo e outras anomalias psíquicas. Seu gosto pela violência é nítido. Seu descaso com a dor alheia é assustador. Sua sede de destruição (lembram-se da frase?) é inquestionável. Aliás, desde o discurso de posse, quando prometeu varrer do Brasil a esquerda, e após, declarou que fora eleito muito mais para destruir (tudo o que ele, com sua visão deturpada de mundo – viram a outra frase? – considera errado) do que para construir, o pai do senador das rachadinhas e da mansão de seis milhões de reais não aquieta o espírito nem concede paz à nação.

Em meio a uma devastadora pandemia, que atinge sobretudo as camadas mais frágeis da nossa população, a contumaz prática em favor da disseminação do vírus e, ato contínuo, do aumento do número de mortes, que o presidente da República faz questão de, não só manter ativa, como de investir em sua ampliação, vide as últimas ‘motociatas’, prova o espírito mortal que guia sua sufocante existência. É nesta esquina da morte que os caminhos do assassino serial, procurado pela polícia, e do ex-capitão do Exército, que tramava ataques terroristas no Rio de Janeiro, se encontram.

MEIO MILHÃO DE MORTOS

Se alguém duvida da responsabilidade direta – fruto de atos e de atitudes premeditadas – do senhor presidente, por boa parte das mortes por Covid-19 no Brasil, ou é muito desinformado ou muito mau caráter. Ou o mito não desdenhou, desde o início da pandemia, da gravidade da doença? Ou não disse que morreriam menos brasileiros por causa do coronavírus do que por gripe comum? Ou não declarou, mais de uma vez, inclusive, que a pandemia estava no final? Ou não incentivou o povo a não respeitar as medidas sanitárias? Ou não promoveu aglomerações? Ou não boicotou a compra de vacinas? Ou não espalhou mentiras sobre a doença? Ou não demonizou o uso de máscaras? Ou não recomendou remédios e tratamentos ineficazes? Ou não acabou de dizer, ao vivo e em cores, para milhões de fanáticos seguidores, que quem já contraiu coronavírus está imune. Ou melhor, mais imune do que quem se vacinou?

Guardadas as devidas proporções e métodos, Jair Bolsonaro é um ‘serial killer’ tão ou mais cruel e perigoso que o tal Lázaro. E muito mais ‘eficiente’. Ocorre que o ‘papis’ dos bolsokids, Bananinha e Rachadinha, é importante e poderoso, e goza de gigantesco apoio popular. Além disso, seus métodos de extermínio não são tão claros e imediatos, nem tão fáceis de se provar, em que pese tudo o que a CPI da Covid já apurou. Também conta a seu favor a politização estúpida da pandemia e a enormidade de negacionistas, terraplanistas e afins, que igualmente detêm poder e popularidade. Juntos, formam um exército de exterminadores travestidos de homens e mulheres públicos.

Sim, é verdade, Lázaro é um fugitivo procurado. Bolsonaro, ao contrário, é a autoridade máxima da nação, ainda que se comporte de forma incompatível com seu status. Lázaro é sujo, mal vestido e extremamente violento. Bolsonaro é limpinho, se veste de forma aceitável e apenas ‘silenciosamente’ violento. Os tipos e formas de crimes que o primeiro pratica são diferentes dos tipos e formas de crimes, em tese, que o segundo pratica. Mas o resultado é o mesmo: mortes. Ainda que umas mais cruéis que as outras, e em muito menor número e proporção. O poder morticida de Lázaro é limitado. O de Bolsonaro, ao que parece, desconhece quaisquer limites. Sejam de ordem moral, ética ou mesmo legal.

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Sobre o autor

Ricardo Kertzman é blogueiro, colunista e contestador por natureza. Reza a lenda que, ao nascer, antes mesmo de chorar, reclamou do hospital, brigou com o obstetra e discutiu com a mãe. Seu temperamento impulsivo só não é maior que seu imenso bom coração.


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