Bolsonaro e Jean Wyllys têm algo em comum

Crédito: José Cruz/Agência Brasil/Evaristo Sa/AFP

(Crédito: José Cruz/Agência Brasil/Evaristo Sa/AFP)


Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, declarou ser gay em uma entrevista. As reações de Jair Bolsonaro e do ex-deputado Jean Wyllys, recém-filiado ao PT, mostraram mais uma vez por que é urgente encontrar uma alternativa ao bolsonarismo e ao petismo nas eleições do ano que vem.

Bolsonaro, aos risos, deu a resposta boçal que já se esperava. “O cara está se achando o máximo”, disse ele. “Bateu no peito: ‘Eu assumi’. É um cartão de visita para a candidatura dele. Ninguém tem nada contra a vida particular de ninguém, agora querer impor o seu costume, o seu comportamento para os outros…”

Quem assistiu à entrevista sabe que a descrição de Bolsonaro não corresponde ao que se viu. Leite, com razão, se disse orgulhoso por finalmente tratar em público da sua orientação sexual. Mas não fez isso do modo vulgar e festivo que o presidente insinuou. Muito menos disse uma palavra sequer que possa ser interpretada como tentativa de “impor seu comportamento aos outros”. Ao abrir o jogo, pelo contrário, ele apenas deixou de acatar uma imposição contrária.

É claro que a declaração tem sentido político, até mesmo eleitoral. O governador gaúcho disputa no PSDB uma possível candidatura à presidência. Ao se assumir gay, ele certamente tornou o seu nome mais conhecido no Brasil. Se isso vai se traduzir em simpatia ou rejeição, não se pode adivinhar. Mas esse com certeza não será o único fator pelo qual uma eventual candidatura poderá ser julgada: ele faz um governo responsável do ponto de vista fiscal e que não deixou de lado a racionalidade em meio à pandemia.

É mais do que se pode dizer a respeito do presidente. Aliás, toda a sua fala de hoje pode ser virada do avesso. Bolsonaro se acha o máximo por insuflar a homofobia sempre que possível. A intolerância foi seu cartão de visita nas eleições de 2018 e será, novamente, em 2022. Ele deseja impor a todos os seus costumes, ou seja, proibir que qualquer comportamento que não seja hétero (ou caricaturalmente hétero, como no seu caso) se manifeste em público. O que mais tem a mostrar além disso?

À sua moda, Jean Wyllys também se demonstrou intolerante. “Quando se é branco, rico e soldado da plutocracia e do neoliberalismo que ‘não tolera’ a homofobia porque LGBTQ viraram nicho de mercado rentável, fica fácil ‘assumir-se’ gay”, escreveu ele em um tuíte.

A frase rescende a rancor. Parece trair a raiva de alguém que viu o seu nicho político subitamente invadido.

Não sei se Eduardo Leite será candidato à Presidência, muito menos declarando apoio a ele. Neste momento, estou apontando o que sei que não quero, com toda certeza: a rigidez ideológica e as atitudes ressentidas de Bolsonaro e Jean Wyllys.

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Sobre o autor

Carlos Graieb tem trinta anos de experiência como jornalista e executivo de mídia. Foi secretário de Comunicação do Governo do Estado de São Paulo (2017-2018)


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