Documentos de Epstein mostram diálogos com Bannon sobre Bolsonaro: ‘é de verdade’

Mensagens foram trocadas dias depois do primeiro turno das eleições de 2018

Bolsonaro
- Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro apareceu nos documentos publicados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre Jeffrey Epstein, morto em 2019. Em uma troca de mensagens com o ex-conselheiro de Donald Trump, Steve Bannon, ele teria afirmado que Bolsonaro “mudou o jogo” e  “é de verdade”.  

“Bolsonaro mudou o jogo. Nenhum refugiado quer entrar. Bruxelas não lhe diz o que fazer. Ele só precisa reativar a economia. MASSIVO”, diz uma mensagem atribuída a Epstein em 8 de outubro de 2018, um dia depois do primeiro turno da eleição presidencial. 

A proximidade de Bannon com Bolsonaro e sua família é pública. Em 2018 o estrategista elogiou Bolsonaro, afirmando que ele era “brilhante”, “sofisticado” e “muito parecido com Trump”. 

Manter a coisa nos bastidores 

Poucos dias depois, em 12 de outubro, mais uma troca de mensagens cita Jair Bolsonaro. Uma mensagem supostamente enviada por Epstein, diz: “Não gostei de Bolsonaro chamando qualquer associação com você de ‘fake news’, embora eu compreenda”. “Eu preferiria um boné MBGA [possível menção a Make Brazil Great Again]”, continua. Bannon responde: “Tenho de manter a coisa do Jair nos bastidores. Meu poder vem de não ter ninguém me defendendo”.

Citação a Lula e Noam Chomsky

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também é citado indiretamente nos arquivos tornados públicos nesta semana. O contexto dá conversa se dá quando Epstein afirma que Chomsky havia ligado para ele da prisão, ao lado de Lula.

“Diga a ele que o meu candidato vai ganhar no primeiro turno”, respondeu Bannon. “Bolsonaro é de verdade”, respondeu Epstein. 

A ligação foi negada tanto pela esposa de Chomsky, quanto pelo Palácio do Planalto. 

Epstein também aconselhou Bannon, segundo conversa que aparece em outro documento, a evitar falar de Bolsonaro quando ele se encontrasse com Noam Chomsky, em um encontro no Arizona.

“A esposa dele é brasileira, então vá com calma ao falar de Bolsonaro. Eles são amigos do Lula. Mas ele é uma figura icônica e não se deve perder a chance de conversar sobre história e política. Vou colocar vocês em contato por e-mail, para que possam se coordenar diretamente.”

Epstein teria ajudado Chomsky na área financeira e o hospedado em algumas de suas residências.