O ex-presidente Jair Bolsonaro apareceu nos documentos publicados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre Jeffrey Epstein, morto em 2019. Em uma troca de mensagens com o ex-conselheiro de Donald Trump, Steve Bannon, ele teria afirmado que Bolsonaro “mudou o jogo” e “é de verdade”.
“Bolsonaro mudou o jogo. Nenhum refugiado quer entrar. Bruxelas não lhe diz o que fazer. Ele só precisa reativar a economia. MASSIVO”, diz uma mensagem atribuída a Epstein em 8 de outubro de 2018, um dia depois do primeiro turno da eleição presidencial.
A proximidade de Bannon com Bolsonaro e sua família é pública. Em 2018 o estrategista elogiou Bolsonaro, afirmando que ele era “brilhante”, “sofisticado” e “muito parecido com Trump”.
Manter a coisa nos bastidores
Poucos dias depois, em 12 de outubro, mais uma troca de mensagens cita Jair Bolsonaro. Uma mensagem supostamente enviada por Epstein, diz: “Não gostei de Bolsonaro chamando qualquer associação com você de ‘fake news’, embora eu compreenda”. “Eu preferiria um boné MBGA [possível menção a Make Brazil Great Again]”, continua. Bannon responde: “Tenho de manter a coisa do Jair nos bastidores. Meu poder vem de não ter ninguém me defendendo”.
Citação a Lula e Noam Chomsky
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também é citado indiretamente nos arquivos tornados públicos nesta semana. O contexto dá conversa se dá quando Epstein afirma que Chomsky havia ligado para ele da prisão, ao lado de Lula.
“Diga a ele que o meu candidato vai ganhar no primeiro turno”, respondeu Bannon. “Bolsonaro é de verdade”, respondeu Epstein.
A ligação foi negada tanto pela esposa de Chomsky, quanto pelo Palácio do Planalto.
Epstein também aconselhou Bannon, segundo conversa que aparece em outro documento, a evitar falar de Bolsonaro quando ele se encontrasse com Noam Chomsky, em um encontro no Arizona.
“A esposa dele é brasileira, então vá com calma ao falar de Bolsonaro. Eles são amigos do Lula. Mas ele é uma figura icônica e não se deve perder a chance de conversar sobre história e política. Vou colocar vocês em contato por e-mail, para que possam se coordenar diretamente.”
Epstein teria ajudado Chomsky na área financeira e o hospedado em algumas de suas residências.