Bolsonaro e a alegria de ser um fascista

Bolsonaro e a alegria de ser um fascista

Jair Bolsonaro ficou nu na semana passada. Ele confessou, com todas as letras, que é um político do centrão. Além disso, por meio de uma foto tirada na quinta-feira, mas só revelada hoje, demonstrou que é mesmo um fascista.

A imagem mostra o presidente feliz como pinto no lixo, sorrindo de orelha a orelha abraçado a Beatrix von Storch, uma das líderes do partido de extrema direita alemão Alternativ fur Deutschland (Alternativa para a Alemanha). Foi tirada durante um encontro que não constou da agenda oficial do presidente, na semana passada.

Seu filho Eduardo Bolsonaro e sua aliada Bia Kicis também estiveram com a parlamentar alemã na semana passada. Ao contrário do presidente, registraram as reuniões nas redes sociais.

O filho 03 disse que ele e von Storch se uniam em torno dos ideais de “defesa da família, proteção das fronteiras e cultura nacional”.

Bia Kicis descreveu o AfD como um partido “conservador”. Pôs seu tête-à-tête com a deputada alemã no contexto de uma “união de conservadores do mundo para defender valores cristãos e a família”.

O mundo caiu na cabeça de Kicis. Descendente de judeus, ela foi duramente criticada pela Confederação Israelita do Brasil por ter recebido von Storch. Em resposta, divulgou uma carta em defesa própria e da AfD.

Escreveu Kicis: “É bom esclarecer que o Partido AFD, diferentemente do que aleivosamente alguns espalharam, não é um partido nazista, eis que é um partido legitimado e reconhecido na Alemanha, contando com 90 parlamentares. Obviamente, como todo grupo político, pode ter integrantes mais extremados, é preciso salientar aos mal informados, que alguns desses foram expulsos do Partido por movimento liderado por Beatrix, que faz parte da sua ala mais moderada. Seu partido, inclusive, apoia e defende Israel.”

Como tudo que dizem os bolsonaristas raiz, a carta de Bia Kicis é uma mistura de ignorância, desinformação e, acima de tudo, pura e simples distorção dolosa da realidade.

Kicis tenta se valer do fato que um partido declaradamente nazista é uma impossibilidade legal na Alemanha.

Além de proscrever o uso político de qualquer símbolo ligado ao Terceiro Reich, os alemães também adotaram em sua ordem constitucional, depois da Segunda Guerra, o conceito de “democracia militante”, que autoriza o banimento de partidos que representem uma ameaça concreta à ordem democrática.

Kicis também menciona a defesa programática que o AfD faz de Israel como atestado de boas intenções do partido.

O que a bolsonarista não menciona é o consenso que existe na Europa – e também em Israel – sobre a natureza radical da AfD. O partido não faz uma defesa ponderada “dos valores cristãos e da família”. Ele advoga a eliminação violenta de imigrantes nas fronteiras e de minorias étnicas no interior do país. Isso nada tem a ver com o conservadorismo – mas tem tudo a ver com o ódio racial que alimentava o nazismo. Pouco importa que a suástica e outros símbolos do movimento de Hitler não apareçam em lugar nenhum.

Por que a AfD defende Israel, tendo, inclusive, uma pequena célula judaica na sua estrutura? Porque despreza muçulmanos de maneira indiferenciada e porque tem como seus principais alvos os imigrantes e refugiados de países do Oriente Médio e da África.



A maioria dos judeus, no entanto, não engole a conversa dos dirigentes do partido, lembrando que historicamente o ódio a uma minoria religiosa ou étnica cedo ou tarde se voltou contra outras minorias – e contra os judeus, de maneira especial.

Bia Kicis diz que os integrantes “mais extremados” foram expulsos da AfD. Talvez ela esteja se referindo a Christian Lüth, porta-voz do partido demitido no fim do ano passado, depois de vir à tona uma conversa em que ele afirmava que problemas com imigrantes eram bons para a AfD, pois ajudariam o partido a crescer até o momento em que fosse possível eliminar os estrangeiros “fuzilados ou na câmara de gás”.

Mas expulsão não foi o que aconteceu com Björn Höcke, que já declarou que os alemães deveriam parar de se envergonhar de seu passado nazista.

Nem com Frauke Petry, ex-presidente do partido, que já disse que imigrantes deveriam ser recebidos a bala nas fronteiras.

Nem com Alexander Gauland, que afirmou que o jogador Jerome Boateng pode servir para o futebol, mas não é alguém que se possa querer como vizinho.

Nem, vejam só, com Beatrix von Storch, que além de também sugerir que imigrantes ilegais deveriam ser executados “como medida de defesa”, respondeu a uma mensagem de Feliz Ano Novo postada pela política alemã em diversas línguas, inclusive árabe, da seguinte forma: “O que há de errado com este país? Estão querendo agradar as hordas de estupradores bárbaros e muçulmanos?” Isso fez com que sua conta no Twitter fosse suspensa em 2018. Lembra alguma coisa?

É por causa de declarações desse tipo que uma corte superior da Alemanha julga se a AfD deve ser mantida sob vigilância pelos serviços nacionais de segurança.

Nenhum desses políticos e políticas foi expulso da AfD. São eles que Bia Kicis está elogiando. Essa gente que confunde violência com política, conservadorismo com xenofobia e ódio às minorias, “valores cristãos” com pensamento único e rejeição ao pluralismo que caracteriza a democracia.

Se não é nominalmente nazista, a AfD tem os mesmos hábitos mentais dos nazistas, aplicados à conjuntura do século XXI. Os argumentos usados por Bia Kicis para defender o partido são mentirosos. Ela e seu “mito” sabem com quem estão tratando.

Sob ameaça de investigação na Alemanha, Beatrix von Storch veio passear no Brasil. Encontrou na presidência da República e na Câmara dos Deputados gente disposta a acolhê-la, sorrindo gostosamente dos “encontros produtivos”, como disse Eduardo Bolsonaro, e das ideias compartilhadas.

Bolsonaro, o presidente que jamais encontrou tempo para receber fabricantes de vacinas, abriu facilmente um espaço na agenda para encontrar a deputada alemã que mercadeja ódio. É de vomitar.

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