Bolsonaro diz o óbvio ululante: “Eu sou do Centrão”

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Namoro firme: O senador Ciro Nogueira (PP) participa das viagens de Bolsonaro para inaugurar obras (Crédito: Divulgação)


O comandante da Aeronáutica disse há quinze dias, numa entrevista ao Globo, que os presidentes da República levam para o governo “quem eles conhecem”. Por isso, Bolsonaro estaria cercado de militares, assim como Lula esteve de sindicalistas e Fernando Henrique, de acadêmicos.

A turma de Bolsonaro nunca foi composta exclusivamente de militares. Ele passou 27 anos no baixo clero da Câmara, eleito por partidos do Centrão, cercado de expoentes do Centrão. Esse é um pessoal que ele conhece muito bem, quase não precisam de palavras para se comunicar.

Nas eleições de 2018, uma mistura de marketing eficiente e cegueira voluntária dos eleitores conseguiu descolar Bolsonaro desse ambiente onde ele sobreviveu por tanto tempo, como um mofo. Mas na hora do vamos ver, como disse o comandante da Aeronáutica, você recorre a quem conhece. No caso de Bolsonaro, caciques do PP, que já foi seu partido, como Arthur Lira e Ciro Nogueira.

Ciro Nogueira na Casa Civil é o retorno do reprimido no governo Bolsonaro. O Centrão que o presidente fingiu execrar, que mereceu um sambinha do general Augusto Heleno (“se gritar pega Centrão…”), irrompe agora bem no centro do poder, na pasta que controla tudo que acontece no Planalto.

As redes sociais bolsonaristas, sempre tão vociferantes, ficaram mudas com a novidade. Sinto dizer, mas foram eles que optaram por não ver o que a vida parlamentar de Bolsonaro tornava óbvio. A gente chama quem conhece.

(Atualização: depois de escrever este texto, vi que Bolsonaro decidiu reconhecer o óbvio. “Eu sou do Centrão”, disse ele. Sincerão.)

A recriação do Ministério do Trabalho, que deve ocorrer na semana que vem, será outra vitória do fisiologismo.

Foi divertido ver o sorriso amarelo de Paulo Guedes na tarde de ontem, anunciando em uma live que uma costela seria arrancada do seu superministério.

Não tenho nada de bom a dizer sobre Guedes. Foram muitas suas demonstrações de desprezo pelo brasileiro médio.  Não tenho nada de bom a dizer sobre o trabalho de Guedes. Ele falou demais e entregou muito pouco. Aliás, seu maior fracasso foi nas políticas de emprego – objetivamente, é justo tirar o tema de sua alçada.

Ainda assim, ele era o verniz do governo: aquela fina camada de conceitos liberais aplicada sobre o amontoado de ressentimentos e impulsos reacionários que compõem o âmago do bolsonarismo. Agora, já era. Quebrou-se o encanto. Paulo Guedes não é mais intocável, nem garantidor de nada.

Sem verniz, o governo continua sendo aquele amontoado de ressentimentos e impulsos reacionários, agora somado às velhissimas ideias e práticas do Centrão. Será que Ciro Nogueira vai comandar a Casa Civil segundo novas teorias, que nada têm a ver com a satisfação da fome por verbas e cargos? Será que a pasta do Trabalho, além de ofertar muitos cargos bem remunerados para a turma de Brasília, vai abrir mão de subsídios e estímulos fiscais para tentar estimular a criação de empregos, mostrando a língua para Paulo Guedes se ele reclamar? Ganha uma fatia de pão com leite condensado quem souber a resposta.

Faltava o Centrão. Nunca o governo teve tanto a cara de Jair Bolsonaro.

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