Bolsonaro diz em áudio que Witzel pediu vaga no STF em troca de apoio no caso das rachadinhas

AFP
(20 mai) O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, e o presidente Jair Bolsonaro participam de cerimônia na sede da Firjan, no Rio de Janeiro Foto: AFP

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) acusou o ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel de pedir uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) em troca de apoio para abafar o caso das rachadinhas. O áudio com a acusação foi divulgado nesta segunda-feira, 15.

A declaração foi dada durante uma reunião entre Bolsonaro, advogados e o ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência Alexandre Ramagem, em 2020. A gravação foi usada pela Polícia Federal na investigação sobre a ‘Abin paralela’, para monitorar opositores do ex-presidente.

Na gravação, feita por Ramagem, Bolsonaro afirma ter se encontrado com o então governador e que teria recebido o pedido para indicá-lo ao STF. Em troca, Witzel poderia abafar o caso das rachadinhas, que envolve o filho do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

“No ano passado (2019), no meio do ano, encontrei com o Witzel […]. Ele falou, resolve o caso do Flávio. Me dá uma vaga no Supremo”, afirmou.

Na época, Witzel era governador do Rio de Janeiro, mas deixou o cargo após o impeachment por suspeitas de desvios na saúde. Ele deixou o comando do estado em agosto de 2020.

A reunião foi usada para tratar sobre a investigação no caso das rachadinhas envolvendo Flávio Bolsonaro. O parlamentar era acusado de receber devoluções de parte dos salários de assessores quando atuava na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

O áudio aponta um possível aparelhamento da Abin para investigar funcionários da Receita Federal responsáveis pela investigação. De acordo com a PF, a agência teria usado a ferramenta First Mille para realizar o monitoramento.

Além de acompanhar os passos, a cúpula da ‘Abin paralela’ tinha o objetivo de encontrar informações que pudessem comprometer os auditores e prejudicar o inquérito contra o senador.

Os investigadores acreditam que as ações foram ordenadas por Alexandre Ramagem. O ex-presidente Jair Bolsonaro teria o conhecimento das ações, de acordo com a Polícia Federal.

O site IstoÉ tentou contato com a defesa de Bolsonaro, que informou ainda ter analisado o áudio. Ramagem não se pronunciou até o momento. A reportagem tenta localizar o ex-governador do Rio, Wilson Witzel.