Bolsonaro caminha para a derrota em 2022

A troca desastrada do ministro da Saúde não é apenas a confirmação de que a política irresponsável e incompetente de Jair Bolsonaro vai continuar. Representou uma das últimas chances, talvez a derradeira, de Bolsonaro consertar seu governo para enfrentar com sucesso a eleição de 2022.

A ação caótica na pandemia ajudou a derrubar a imagem do presidente, mas não será o principal fator a pesar no pleito. Muita coisa vai mudar até lá. Os EUA e a China já sinalizam como o será o mundo pós-pandemia. A economia chinesa já começa a decolar. Joe Biden conseguiu em menos de três meses derrubar os índices de óbitos e pode vacinar todos os americanos até setembro. No próximo ano, haverá um sentimento de volta à rotina, talvez até de euforia. O pacote trilionário de ajuda aprovado pelos democratas vai somar, no final, uma espantosa injeção de 13% do PIB nos EUA. É uma reprodução do New Deal, dos anos 1930. Os EUA começam a virar a página da pandemia e miram um salto para o futuro.

O presidente não tem capacidade de mudar a rota desastrosa de seu governo. Com isso, suas chances de se reeleger diminuem

No Brasil, a inépcia criminosa de Bolsonaro custará muitas vidas até o próximo ano. Mesmo assim, o País ensaiará uma volta à normalidade. O que vai determinar as chances de Bolsonaro continuar no Planalto, no final, será a economia. E o caminho que o mandatário vai percorrer é claro — e desastroso. Para se sustentar, ele deve acelerar as medidas populistas, piorando ainda mais a crise. O seu legado será péssimo. Neste ano, a economia não vai se recuperar do tombo da pandemia. A dúvida é se conseguirá em 2022. Com isso, a base de apoio de Bolsonaro será pulverizada. A única saída seria uma “refundação do governo”, mas ela não virá, como a escolha do novo ministro atestou. Na Saúde e na Economia, Bolsonaro não tem capacidade nem preparo mental para redirecionar seu governo, ampliando a base de apoio e garantindo a estabilidade até o final do mandato. Seu raciocínio é binário e permanece o mesmo desde que entrou na política: explorar a divergência, atrair ressentidos e atacar a democracia.

Ele sempre apostou no conflito. Agora, torce por convulsões nas ruas para finalmente dar um golpe, que é seu verdadeiro projeto de governo. Porém, a sociedade, mais complexa e sofisticada após a ditadura, deve rechaçar esse retrocesso. O Centrão já sente o cheiro de carniça e começa a se preparar para o pós-Bolsonaro. Como seus líderes disseram, essa foi a última troca de ministro da Saúde. A próxima, será do presidente.


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