Bolsonaro acusava, com razão, o lulopetismo de aparelhar o Estado, mas aprendeu rápido

Crédito: Sérgio Lima

(Crédito: Sérgio Lima)

Experimente você, leitor(a) amigo(a) gravar e publicar um vídeo nas redes sociais, armado, ensinando e incentivando as pessoas a ‘mandar bala na fuça de policiais’ que, em cumprimento a uma ordem judicial, lacrem um comércio ou uma igreja.

Experimente, também, fazer ameaças públicas de violência física contra autoridades dos Três Poderes. Ou ainda, pregar golpe de Estado, ditadura militar, e incentivar os malucos a ‘fecharem’ o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal.


Sabe o que lhe aconteceria? Você seria preso preventivamente por ameaça à ordem pública, acusado de uma série de crimes, processado, condenado e passaria alguns meses em cana, além de pagar multas e sofrer outras medidas restritivas.

ROBERTO JEFFERSON

Roberto Jefferson, ex-presidiário e mensaleiro, hoje aliado e guru de Jair Bolsonaro, o verdugo do Planalto, fez tudo isso e mais um pouco. Preso preventivamente após determinação do STF, reclama de abuso de autoridade e se diz vítima de ditadores.

Bem, até aí, nada de anormal. São raros os criminosos confessos. O que assusta e chama a atenção é o comportamento do Procurador-geral da República, Augusto Aras, que ou faz cara de paisagem ou acredita tratar-se de liberdade de expressão.

Este mesmo senhor, contudo, processou – e teve o pedido negado pela Justiça! – um jornalista que o criticou. Repare: o jornalista não o ameaçou ou o ofendeu; apenas o criticou dentro dos limites da lei. Aras não se lembrou da liberdade de expressão?

Para este grande PGR, ameaçar a democracia do País ou incentivar agressão física, inclusive armada, contra um colega de judiciário, se enquadra no ‘direito de opinião’, mas ser criticado, como agente público que é, deve ser considerado crime.

JAIR BOLSONARO

O amigão do Queiroz, como todos sabem, vem cometendo crimes em série – sejam de responsabilidade (julgados pelo Congresso Nacional), sejam comuns (julgados pelo Supremo), mas absolutamente nada lhe acontece.

Bolsonaro é blindado por dois servis aliados: o próprio Aras, na Procuradoria-geral, responsável por processar o presidente da República, e por Arthur Lira, seu sócio do Centrão e presidente da Câmara, responsável por abrir processos de impeachment.

Assim, o devoto da cloroquina continua usando o aparelho público, como a TV Lula, agora BolsoNews, para fazer campanha eleitoral antecipada, e a torrar nossa grana em seus passeios de motocicleta, também em benefício eleitoral próprio.

Livre, leve e solto, o maníaco do tratamento precoce também continua espalhando mentiras sobre as vacinas, sabotando as medidas de combate ao novo coronavírus e pregando golpe militar sem medo de ser feliz. E por que teria, não é mesmo?

LINDÔRA ARAÚJO

Se filho de peixe peixinho é, sub de procurador procurador é. Neste caso, não, pois nem Dona Lindôra nem Seu Aras ‘procuram’ nada. Ao contrário. Ou se escondem ou se omitem, e deixam o sociopata homicida golpista à vontade para delinquir.

O caso da doutora é ainda mais vexatório que o papel de Aras. Provocada por dois partidos políticos, a moça simplesmente não enxergou crime em Bolsonaro retirar a máscara de uma criança de colo em meio a uma multidão. E foi além…

Bancou a cientista (de botequim) e contrariou todas as maiores autoridades médicas do mundo ao afirmar, baseada em absolutamente nada que não sejam os próprios neurônios (?), que máscaras não ajudam a prevenir o contágio por coronavírus.

Ou seja, o presidente da República – devidamente desmascarado, como de costume, descumprindo leis federais, estaduais e municipais – provoca aglomeração, segura a criança no colo, retira-lhe a máscara, mas tudo bem, tudo certo, segue o jogo.

VERGONHA

A Subprocuradora ainda se meteu, como se já não bastasse tanta humilhação, a especular sobre a saúde do covarde (Bolsonaro): ‘o presidente não apresentava sinais de Covid’, a fim de justificar a atitude do irresponsável.

Segundo ela, como o ‘mito’ não estava contaminado, ele não cometeu crime. Bem, alguém tem de ensinar à valente que existe um troço chamado ‘assintomático’. Ou seja, Bolsonaro expôs, sim, ao risco, uma criança de colo. Deliberadamente!

É tão ‘cara de pau’ esta senhora, que no caso daquele desembargador asqueroso de Santos, que humilhou um guarda municipal que lhe exigiu o uso da máscara, ela opinou justamente o oposto, e disse que tal atitude representava risco à saúde.

Entende, caro(a) leitor(a)? Se Bolsonaro, o ‘patrão’, não usa máscara, não há crime. Mas se o desembargador, que não nomeia ninguém, não usa, então há crime. Se um figurão político prega golpe, não há crime. Se um jornalista faz críticas, há crime.

PREVARICAÇÃO

Muito mais que vergonhosa, a submissão da PGR a Jair Bolsonaro é ilegal. Augusto Aras e Lindôra Araújo, respectivamente Procurador e Subprocuradora-geral, atuam como ‘blindadores-gerais’ e rebaixam o órgão a puxadinho do Planalto.

Os senadores Fabiano Contarato (Rede-ES) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE) protocolaram no Supremo uma notícia-crime contra Augusto Aras por prevaricação. E fizeram muito bem! A desídia é evidente, como afirmaram na acusação.

Já o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) irá representar contra Lindôra no tal CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) por causa das falsas afirmações sobre o uso, ou melhor, o não uso de máscaras.

Muito provavelmente nenhuma das ações irá prosperar ou resultar em algo concreto, afinal, corporativismo e espírito de corpo – que eu chamo de porco – são a máxima no funcionalismo público. Um gambá cheira o outro e todos se entendem.

Ainda assim, estão de parabéns os senadores acima. Podemos até ser obrigados a suportar tanto pouco caso com as obrigações assumidas pelos cargos – regiamente pagos por nós -, mas que ao menos seja com algum tipo de resistência.






Sobre o autor

Ricardo Kertzman é blogueiro, colunista e contestador por natureza. Reza a lenda que, ao nascer, antes mesmo de chorar, reclamou do hospital, brigou com o obstetra e discutiu com a mãe. Seu temperamento impulsivo só não é maior que seu imenso bom coração.


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